Espiritualidade

Confira abaixo nossos artigos e textos sobre a espiritualidade mariana, missionária, kolbiana e da Igreja.

Sobre a Espiritualidade

Mestres da Pequenez

Em seu explícito desejo de santidade, plenamente partilhado pela “pequena” Teresa, Padre Kolbe se esforça para captar a “essência” do amor, que ele descobre no sacrifício da vontade: a obediência. O que significa isso para nós hoje?


Olhando a experiência de Teresa, causa admiração que ela, desde menina, nunca pensou em Deus com sujeição ou temor, apesar da rigidez da educação de sua época. Talvez seja esse o primeiro e o mais importante ensinamento que recebemos dela: não ter medo de Deus. Somente assim, aliás, é possível nos libertarmos do medo de nós mesmos. Portanto, a primeira obediência é a obediência àquilo que somos e consiste em amar a nós mesmos, apesar dos nossos limites.


Padre Kolbe também está convencido de que não pode eliminar da sua vida os defeitos e, por isso, decidiu jogar tudo no amor: “Santa Teresa do Menino Jesus escreve que já havia se resignado à constatação de que sempre seria imperfeita, porque é difícil não sê-lo, dado que ainda não estamos no Paraíso”. Entretanto: “um único ato de amor perfeito faz renascer a alma, sirvamo-nos com frequência desse meio”. O amor do qual ele fala e que vive não é aquele “que provém do sentimento, mas somente da vontade, isto é, um ato de obediência religiosa realizados para a Imaculada”. A coisa mais importante é potencializar cada vez mais o nosso amor pessoal pela Imaculada e pedir frequentemente a Ela para obter um amor para com Ela, cada vez mais profundo e ardoroso. Esse é o cerne da nossa vida, da nossa existência”.

Concretamente, trata-se de realizar com fidelidade os deveres do dia-a-dia, sem nunca viver para eles. O nosso sucesso, a estima que tiramos disso, os programas que podemos elaborar estão sempre subordinados ao amor de deus que está em nós que passa através de nós.

Esse “caminho inteiramente novo”, aparentemente dulcíssimo e realmente ao alcance de todos, é tudo aquilo que de mais radicalmente exigente se possa imaginar: é o caminho da cruz. Entretanto, há um segredo para torná-lo ainda mais praticável.

“Ser cada vez mais da Imaculada, aprofundar em direção ao Sacratíssimo Coração de Jesus e para as manifestações do seu amor. O seio da Imaculada, a vida oculta em Nazaré, a atividade apostólica, a paciência na perseguição, a pobreza, etc, a morte na cruz, a ressurreição e a Eucaristia”.

A consagração à Imaculada: eis as asas do amor! “Niepokalanów é como a casinha de Nazaré. Deus Pai é o Pai, a Imaculada é a mãe e a patroa da casa. Jesus no Santíssimo Sacramento do altar é o filho primogênito e nosso irmão. Por sua vez, todos os irmãos menores se esforçam em imitar o Irmão maior no amor e em prestar culto a Deus e à Imaculada, nossos pais comuns, enquanto que aprendem da Imaculada a amarem o divino Irmão maior”.

Na espiritualidade kolbiana, o caminho da infância espiritual desemboca naturalmente nos braços de Maria que, segundo Teresa, é a maior porque é a menor: “A estrada estreita do céu vocêa torna fácil praticando cada vez mais as virtudes humildes”. E recomenda: “Não tenha medo de amar demasiadamente Nossa Senhora; você nunca vai amá-la suficientemente; e Jesus ficará muito contente, porque Nossa Senhora é sua mãe”.

UM AMOR DESMEDIDO

Descobrir que se tem uma Mãe é fonte de alegria e de surpresa, como diante da inesperada exuberância do amor de Deus. Os santos não se cansam de contemplá-la, com palavras simples, mas… que causam vertigem: “Ó Maria, se eu fosse a Rainha do Céu e se vós fôsseis Teresa, eu gostaria de ser Teresa, para que vós fôsseis a Rainha do Céu!”.

São Maximiliano, filho da Igreja, aprofunda um sulco já traçado. Para nós, ele penetra no mistério do amor de Deus: “Quem ousaria supor que tu, ó Deus infinito, eterno me amaste desde séculos, ou melhor, antes dos séculos? De fato, tu me amas desde o momento em que existes como Deus, isto é, me amaste e me amarás desde sempre e para sempre!… embora eu ainda não existisse, tu já me amavas do nada à existência. Isso, porém, não era suficiente: para melhor me mostrar que me amavas com tanta ternura, desceste das mais puras delícias do paraíso para esta terra, levaste uma vida de pobreza e, enfim, desprezado e zombado, quiseste ser suspenso entre os tormentos num torpe patíbulo…

Tu, porém, não ficaste contente com isso: o teu coração não permitiu que eu tivesse que ter somente recordações do teu desmedido amor. Permaneceste nesta terra no santíssimo e mais do que admirável sacramento do altar.

O que é que tu ainda poderias me dar, ó Deus, depois de ter-te oferecido a mim em propriedade? O teu coração, ardente de amor para comigo, te sugeriu ainda mais um dom; sim mais um outro dom!… Tu mandaste que nos fizéssemos crianças, se quiséssemos entrar no reino do céu. Tu sabes muito bem que uma criança tem necessidade de uma mãe: tu mesmo estabeleceste essa lei de amor. Por isso, a tua bondade e a tua misericórdia criaram para nós uma mãe, a personificação da tua bondade e do teu amor infinito, e da cruz, no Gólgota, ofereceste-a para nós e nós para Ela… Além disso, estabeleceste, ó Deus que nos ama, que Ela devia ser a onipotente dispensadora e mediadora de todas as graças; tu não recusas nada a Ela, mas Ela também não é capaz de recusar nada a ninguém… Quem, portanto, poderá ainda se condenar? Quem não chegará ao Paraíso?”.

Denise Adversi

Missionária da Imacualda – Padre Kolbe

 “… tu me amas desde o momento em que existes como Deus, isto é, me amaste e me amarás desde sempre e para sempre!” (São Maximiliano Kolbe)

Cantores da Misericórdia

Teresa de Lisieux e Maximiliano Kolbe, duas pessoas universais e amadas, geniais e complexas… diferentes: ao menos na aparência.

Em dimensões humanamente microscópicas, mas de modo incrivelmente profundo e intenso, o espírito missionário de Teresa enfrenta todas as batalhas às quais é submetida a vida dos maiores apóstolos. A raiz do seu espírito missionário pode ser encontrada exatamente na comparação evangélica da lâmpada acesa, que com agudeza Teresa aplica às relações fraternas. Simplicidade, alegria, ternura: sem esses ingredientes, que indicam o modo cristão de expressar amor, não é possível nem mesmo a missão. Antes de serem heroicos, os missionários são, de fato, autenticamente humanos.

Nos últimos meses de sua vida, Teresa mostra o seu amor fraterno com uma espontaneidade maravilhosa; preocupa-se de todas as maneiras em “serenar e alegrar” as suas irmãs, propondo-se, entre outras coisas, de manter vivo o bom humor. A irmã Maria da Trindade recorda isso ao contar o modo como Teresa foi consolá-la num dia de junho de 1997: sentara-se ao seu lado, num tronco de árvore, e deitara a cabeça da noviça em seu coração.

Viajando pela Europa, Padre Kolbe escreve aos confrades da comunidade japonesa: “Caríssimos, São Paulo, numa carta aos coríntios, também diz mais ou menos estas palavras: ‘Mesmo que vocês tivessem mil mestres em Cristo, não teriam muitos pais, pois fui eu que os gerei no Evangelho’. Po isso, também eu aplico com alegria a mim mesmo essas palavras, alegrando-me pelo fato que a Imaculada se dignou, apesar das minhas misérias, fraquezas e indignidade, infundir a sua vida em vocês através de mim, tornar-me mãe de vocês. É assim que a vida divina, a vida da Santíssima Trindade jorra do Sacratíssimo Coração de Maria, em seus pobres corações, mas muitas vezes também através de outros corações criados. Que essa vida seja o amor, nós todos o sabemos muito bem”.

Eis o testemunho de uma jovem colega de prisão de São Maximiliano: “Eu havia vivido numa casa onde o amor era a palavra-chave. Ser uma criança educada num lugar assim maravilhoso e, depois, encontrar-se de repente completamente só, com a idade de treze anos, no inferno de Auschwitz, provoca tal efeito que dificilmente alguém pode compreender. Sem esperança, não havia possibilidade de sobreviver e muitos rapazes da minha idade jogavam sobre os fios de alta tensão. Kolbe veio ao meu encontro, falou comigo enquanto vagava, procurando alguém com quem partilhar as minhas recordações. Para mim ele foi como um anjo e, como uma mãe carinhosa, me tomou entre seus braços. Enxugava sempre as minhas lágrimas. Comecei então a acreditar mais em Deus, pois desde que meus pais haviam morrido eu me perguntava continuamente: ‘Onde está Deus?’, e eu tinha perdido a fé. Kolbe, porém, a restituiu para mim! Ele sabia que eu era judeu, mas isso não tinha importância. O seu coração fazia diferença entre as pessoas: ele amava a todos e doava amor, nada mais do que amor”.

VIVER O AMOR

Esses dois santos se assemelham no amor. Um amor de tal modo enraizado em Deus que não tem medo de ambiguidade, simples e, portanto, livre de complexos. Dir-se-ia um amor parecido com o das crianças: a “infância espiritual” de Teresa, que pode ser facilmente reconhecida também em São Maximiliano Kolbe, é a síntese desse caminho árduo, mas iluminado pela misericórdia de Deus, que conduz à plena maturidade do amor. Implica uma capacidade adulta de amar, pondo em ação toda a sua humanidade e profundidade espiritual. Um caminho que, qualquer que seja o nosso estado de vida, nos interessa.

“O amor se nutre de sacrifícios. Quanto mais a alma rejeitar as satisfações naturais, tanto mais a sua ternura se faz forte e desinteressada. Estou muito feliz por ter-me sacrificado desde o começo da minha vida religiosa: agora já me alegro pelas recompensas prometidas àqueles que lutam corajosamente. Não sinto mais que seja necessário recusar a mim mesma todas as consolações do coração, pois a minha alma foi revigorada por Aquele que é o único que eu queria amar. Vejo com Alegria que, amando-o, o coração se dilata, podendo dar incomparavelmente muito mais ternura há aqueles que lhe são caros do que se estivesse concentrado num amor egoísta e infrutífero”.

Também neste caso, o padre kolbe parece fazer seu o pensamento de Santa Teresa, cujos escritos ele conhecia muito bem: “Caros filhos, lembremo-nos que o amor vive, se nutre de sacrifícios. Agradeçamos à Imaculada pela paz interior, pelo êxtase de amor, mas nunca nos esqueçamos que tudo isso, apesar de ser bom e bonito, não é de fato a essência do amor, ou melhor, o amor perfeito pode existir inclusive sem tudo isso. O ápice do amor é o estado no qual encontrou-se Jesus na cruz, quando disse: ‘Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?’. Sem sacrifício não há amor. Sem sacrifício dos sentidos, sobretudo dos olhos, o sacrifício do paladar, do ouvido e assim por diante. Mas, acima de tudo, o sacrifício da razão e da vontade na santa obediência”.

Denise Adversi 

Missionária da Imaculada – Padre Kolbe

A Sagrada Escritura que nos inspira

Sabemos que não foi Deus quem escreveu a Bíblia e sim homens inspirados por Ele. Também é verdade que as pessoas, antes da invenção da imprensa ou entre aqueles que não sabiam nem ler ou escrever, recebiam as verdades de fé por meio da palavra falada.

Neste contexto, podemos nos perguntar: Como os apóstolos e os discípulos transmitiram os ensinamentos de Jesus até nós? Os ensinamentos, que eram verdadeiramente palavras de Deus, foram transmitidos primeiramente pela palavra oral.

Muitos desses ensinamentos orais que nos foram transmitidos de geração em geração foram proclamados pelos Papas e Bispos da Igreja Católica.

A Bíblia e a Tradição

Lembramos que a Palavra latina traditio significa algo que se entrega e, por isso, os ensinamentos que os Apóstolos nos entregaram para serem transmitidos chamam-se Tradição da Igreja. Somente mais tarde esses ensinamentos foram registrados, em grande parte, por escrito pelos escritores cristãos dos primeiros tempos.

Assim, a Bíblia e a Tradição não são duas fontes separadas da verdade cristã. A Bíblia é a regra de fé, interpretada pela Tradição da comunidade cristã, a Igreja. Por isso, a interpretação da Sagrada Escritura deve ser feita sob a luz do Espírito Santo, para que fielmente a mensagem de Deus seja conservada, exposta e difundida.

A Palavra Encarnada

Portanto, a Bíblia deve ter um lugar especial na nossa vida espiritual, não apenas na estante da nossa casa. A leitura da Bíblia é algo grandioso que nenhum católico interessado no seu progresso espiritual pode permitir-se ignorar.

Muito se fala que o livro mais lido no mundo é a Bíblia. A nossa alma é alimentada com a Palavra Encarnada de Deus. O nosso Deus entra na nossa história, dá-se a conhecer por gestos e palavras. Os fatos e suas interpretações foram fixados por escrito, durante um longo processo. A comunidade cristã recebeu, conservou com veneração, leu e interpretou as Sagradas Escrituras.

A interpretação da Sagrada Escritura e a sua ligação com a Vida nos faz entender que Deus mesmo oferece o seu amor, nos chama à conversão e a realizar o seu plano de salvação, que se estende para toda a humanidade.

Além disso, foi por meio da Sagrada Escritura que pudemos entender que Maria ocupa um lugar especial no plano de salvação de Deus. A Sagrada Escritura nos ajuda a manter Jesus no centro da experiência de Deus, tendo Maria como mãe.

Fonte de inspiração

Deus é o autor e realizador da nossa fé. Os relatos da escritura são uma fonte da relação da humanidade com a Igreja.

Mas, o que seria de nós se não tivéssemos o livro Sagrado ao nosso alcance? Desde o Antigo Testamento ao Novo Testamento recebemos várias revelações de Deus dadas pelos profetas, apóstolos e discípulos de Jesus. Inspirados pela Bíblia, muitos homens e mulheres viveram fielmente o caminho de Deus aqui na terra.

Um exemplo bonito de alguém que, iluminado pela fé, compreendeu as realidades divinas de forma profunda é Maximiliano Kolbe. Ele viveu plenamente o projeto de Deus a partir da Sagrada Escritura. A sua união com Deus, unida a uma capacidade de oração e meditação, o fez entrar nas profundezas dos mistérios divinos.

A mensagem de São Maximiliano é muito atual. Ele nos apresenta uma fé sem limites e vive a Sagrada Escritura com toda a sua alma desde o seu nascimento até a entrega de sua vida no bunker da fome para salvar um pai de família.

Por isso, temos que agradecer a Deus por comunicar-nos a sua Palavra, mostrando-nos a sua beleza sempre antiga e sempre nova. Quanto mais conhecermos Deus, na vida, na Bíblia e na Tradição, mais nós nos reconheceremos como peregrinos e missionários. Por isso, pedimos a Deus que continue nos dando o seu Espírito, para que ele nos conduza até o céu.

Everenice Schiavon Ara
Voluntária da Imaculada-Padre Kolbe

Espaço aberto para Ele

A vida interior se fundamenta na reta intenção, no recolhimento interior, na firmeza de propósito, mas se nutre da oração, da meditação, e de uma filial relação com Maria.


Meditação
Podemos meditar caminhando, sentados, no quarto, na igreja, ou contemplando a natureza… O importante é dedicarmos todos os dias um pouco de tempo, uma hora, meia hora, ao menos quinze minutos, a esse encontro pessoal com Deus.

Somente diante dele, a fim de que a sua palavra penetre em nosso coração e em nosso espírito. Palavra que é antes de tudo a Sagrada Escritura, mas que pode ser também um documento da Igreja, a vida e o exemplo de um santo, um livro que fale de Maria, etc.

Meditando a palavra de Deus conseguiremos entender a vocação que Deus nos deu.

Muitas vezes digo isso com pesar, vemos jovens e não tão jovens insatisfeitos, desiludidos, porque não buscaram o sentido da vida, não procuraram entender o lugar para o qual Deus os chamava e se viram fora do caminho.

Meditando a Palavra, teremos a certeza que Ele, “venceu o mundo”
(Jo 16,33).

E seremos capazes de oferecer tudo, como fez Maria. Por que teremos entendido que a cruz, onde quer que toque, dá a vida.

Por isso, nos momentos de dor saberemos dizer: “Creio e crendo sigo a ti, seguindo-te, te amo, e amando-te te ofereço tudo”.

A nossa alma será purificada e ganhará força nova… uma força capaz de renovar o mundo.

Frei Luigi Faccenda

Novena 2026: São Maximiliano Kolbe, uma herança e um carisma que atrai a 85 anos de seu martírio
Foto: Imagem de hainguyenrp por Pixabay

Introdução

G. Há 85 anos, São Maximiliano Maria Kolbe selava, com a entrega total de sua vida, o caminho que havia percorrido desde a juventude: um caminho de amor apaixonado a Jesus Cristo, de entrega incondicional à Imaculada e de serviço generoso aos irmãos.

Seu martírio em Auschwitz não foi um fato isolado nem o último capítulo de uma história extraordinária. Foi o ápice de uma existência totalmente consagrada a Deus, vivida com a certeza de que o amor é mais forte que o ódio, a esperança mais forte que o desespero, e a entrega mais forte que a morte.

Hoje, ao relembrar seu testemunho, descobrimos que São Maximiliano continua atraindo corações e que sua vida continua nos interpelando.

Durante esses nove dias, percorreremos alguns aspectos fundamentais de sua herança espiritual: o amor à Imaculada, a vida de oração, a vocação, os jovens, as famílias, a missão, os meios de comunicação, o estudo e o trabalho e, finalmente, seu testemunho luminoso em meio à escuridão.

Juntamente com São Maximiliano, também nos deixaremos iluminar pelos ensinamentos do Padre Luís Faccenda, que acolheu e transmitiu seu carisma, lembrando-nos de que a consagração a Maria não é apenas uma devoção, mas uma forma de viver o Evangelho, de pertencer plenamente a Cristo e de servir à Igreja no mundo de hoje.

Esta novena pretende ser também uma oração pelas novas gerações. Confiamos a São Maximiliano tantos jovens que buscam seu caminho, que se questionam sobre o sentido de sua vida e que desejam construir um futuro cheio de esperança. Pedimos a graça de que descubram a beleza de uma vida entregue a Deus e ao serviço dos outros.

Que a Imaculada nos acompanhe nesta jornada espiritual. Que ela nos ensine a ouvir, a confiar, a responder com generosidade e a viver com alegria nossa vocação. E que, ao final destes dias, possamos renovar nosso compromisso de ser discípulos missionários que, à maneira de São Maximiliano Kolbe, trabalham para levar todos a Cristo por meio de Maria.

Com o coração agradecido e aberto à ação do Espírito Santo, iniciemos esta novena.

ORAÇÃO PARA TODOS OS DIAS

Invocação ao Espírito Santo

Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis

e acendei neles o fogo do Vosso Amor.

Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado,

e renovareis a face da terra.


Oremos

Ó Deus, que instruíste os corações dos vossos fiéis, com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos da sua consolação.Por Cristo Senhor Nosso. Amém

Oração a São Maximiliano, Apóstolo das vocações

São Maximiliano, queremos abrir nosso coração a ti,

para que o faças arder de amor e de paixão pelo Reino

que animou toda a tua existência e que

te colocou a caminho pelas trilhas do mundo.

Desejamos, como tu, entregar a cada dia

 nossa vida ao Senhor pelas mãos da Imaculada e,

ao mesmo tempo, entregar-nos uns aos outros para que,

juntos, possamos “animar e ser animados”

nesta missão particular que nos foi confiada

e que nos chama a cada dia a lançar as redes

da confiança e da esperança.

Acreditamos que o teu ideal de vida e de missão

pode conquistar o coração de muitos jovens;

ajuda-nos a fazê-los descobrir a alegria de uma vida entregue.

Amém.

1º dia:

Tema: O amor à Imaculada Conceição

Sinal da Cruz

Introdução

G: “O amor é o segredo de Deus. Diante Dele não existe o grande, o pequeno, o muito, o pouco, apenas o amor. O amor é a maior força do mundo”. Hoje queremos percorrer o caminho de um coração treinado no amor, dando início a esta novena de São Maximiliano Maria Kolbe, que amou a Deus com o coração da Imaculada.

G: Invocação ao Espírito Santo

O Espírito Santo nos guia e nos santifica; é como a luz que ilumina, conduz, orienta, desperta o fervor, dá força e enche o coração de amor, fogo, calma e serenidade; dá segurança e nos faz experimentar a felicidade; por isso, rezemos pedindo essa luz que nos orienta.

Oração ao Espírito Santo para todos os dias ou canto

L1: Lemos o Evangelho segundo São Lucas (1, 26–38)

No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré,

a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria.Entrando, o anjo disse-lhe: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo”. Perturbou-se ela com essas palavras e pôs-se a pensar no que significaria seme­lhante saudação. O anjo disse-lhe: “Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó,e o seu reino não terá fim”. Maria perguntou ao anjo: “Como se fará isso, pois não conheço homem?” Respondeu-lhe o anjo: “O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso, o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril, porque a Deus nenhuma coisa é impossível”. Então disse Maria: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”. E o anjo afastou-se dela.

L2: O Papa Leão XIV nos diz

“Maria, primeiro raio de luz da salvação, farol de esperança e modelo de fé “na sua liberdade, o acolheu abraçando o projeto de Deus. O Senhor age sempre assim: faz-nos grandes dons, mas deixa-nos livres para os aceitar ou não. Por isso Agostinho acrescenta: «Acreditemos também nós, para que o que se realizou [nela] possa beneficiar-nos também» (ibid.). Assim, esta festa, que nos alegra pela beleza imaculada da Mãe de Deus, convida-nos também a acreditar como ela acreditou, dando o nosso consentimento generoso à missão para a qual o Senhor nos chama”.

L3: “O “sim” da Mãe do Senhor é maravilhoso, mas o nosso também pode sê-lo, se renovado todos os dias com fidelidade, gratidão, humildade e perseverança, na oração e nas obras concretas de amor, desde os gestos mais extraordinários até aos compromissos e serviços mais quotidianos, para que Jesus seja conhecido, acolhido e amado em toda a parte e a sua salvação chegue a todos”. (Angelus – 8/12/25)

G: Dos escritos de São Maximiliano

“Aumenta cada dia, a cada momento, o teu amor pela Imaculada e deixa-te guiar por Ela: serás feliz nesta terra e no paraíso”. (EK 1355)

L1: “A Imaculada deixou a Terra, mas sua vida continuou e se expandiu cada vez mais profundamente nas almas. Se todas as almas que já peregrinaram pela Terra ou que vivem neste momento pudessem expressar sua opinião, seriam publicados incontáveis volumes que testemunhariam a atividade da Imaculada, a terna Mãe das almas redimidas pelo Santíssimo Sangue de seu divino Filho”. (EK 1313)

L2: O Padre Faccenda nos diz

“Eu poderia repetir para vocês aquele conceito tão belo e agradável das almas mais simples e espiritualmente sensíveis: a consagração a Maria – colocar a mão na mão de Maria, apertá-la com força, porque é a mão daquela que é Mãe, Mediadora, que é ajuda e esperança. (…) Mas também essa definição, para algumas pessoas, já está ultrapassada e, por isso, não causa impacto.

Então, vejamos se esta passagem do salmista nos diz algo mais e diferente: “Como os olhos da serva estão fixos nas mãos de sua senhora…” (Sl 123, 2). O olhar da senhora que indaga, que examina minuciosamente e que é garantia da perfeição de tudo o que a rodeia; os olhos das servas fixos nos olhos dela, para captar suas ordens, seus desejos, suas expressões silenciosas. E isso para dar alegria e felicidade Àquele cuja presença é onipresente e onipotente”.

G: O Padre sempre nos disse: “Amai vossa vocação, pois é a maior, a mais bela, a mais segura e a mais rica em graças nesta vida e a recompensa na vida futura; vivam sem limites vossa consagração à Imaculada; (…)”

Por isso, hoje queremos renovar nosso Sim:

Gesto

Todos pegamos em nossas mãos a Medalha Milagrosa, sinal de nossa entrega à Imaculada, e renovamos juntos a consagração a Ela.

Consagração à Imaculada

Virgem Imaculada, Mãe de Deus e da humanidade, acolho-te como dom de Jesus na Cruz e me consagro inteiramente a ti. Ofereço-te toda a minha vida: Tudo o que sou, que amo e que tenho, para que resplandeça em mim a beleza de Cristo. Ajuda-me a ser dócil ao Espírito e a viver com alegria a minha vocação na Igreja, para colaborar com a tua missão materna e orientar para Deus o coração de cada homem. Tu que guiaste São Maximiliano Kolbe a amar sem medida, ensina-me a ser testemunha do Evangelho e a fazer da minha vida um dom. Amém.

Oração dos fiéis

G: Um aspecto do amor é o acolhimento que nos leva a aceitar o outro tal como ele é, e não como gostaríamos que ele fosse. Por isso, pedimos à Imaculada que interceda por cada um de nós, dizendo a cada invocação: Maria, abençoa nossa caminhada

– Maria, exemplo de fidelidade e amor, ajuda-nos a viver nossa vocação. Oremos.

– Maria, mulher atenta às necessidades do próximo, guia-nos em nosso serviço aos outros. Oremos.

– Maria, mulher de silêncio e escuta, ensina-nos a orar, meditar e guardar a Palavra até que ela dê fruto. Oremos.

Oração a São Maximiliano, Apóstolo das vocações

Canto mariano

2º Dia

Tema: A oração

Sinal da Cruz

Introdução

G: Como devemos rezar? O próprio Jesus nos ensinou uma oração: “Pai, se for da tua vontade, afasta de mim este cálice. Mas não se faça a minha vontade, mas a tua”. Portanto, procuremos, a cada dia, alimentar nossa jornada com momentos de vida interior, na solidão, no deserto e no silêncio.

Oração ao Espírito Santo para todos os dias ou canto

G: Maria aparece como a “Virgem orante” em Caná, onde, ao manifestar ao Filho, com delicada súplica, uma necessidade momentânea, obtém também um efeito da graça: que Jesus, realizando o primeiro de seus “sinais”, fortaleça seus discípulos na fé Nele (cf. Jo 2, 1-12).

L1: Lemos no Evangelho segundo São João (2, 1-5)

Três dias depois, celebravam-se bodas em Caná da Galileia, e achava-se ali a mãe de Jesus. Também foram convidados Jesus e os seus discípulos. Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: “Eles já não têm vinho”. Respondeu-lhe Jesus: “Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou”. Disse, então, sua mãe aos serventes: “Fazei o que ele vos disser”.

L2: Maria se coloca entre seu Filho e os homens, diante da realidade de suas privações, carências e sofrimentos. Ela se coloca “no meio”, ou seja, atua como mediadora não como uma pessoa alheia, mas em seu papel de mãe, consciente de que, como tal, pode – ou melhor, “tem o direito de” – apresentar ao Filho as necessidades dos homens. Sua mediação, portanto, tem um caráter de intercessão: Maria “intercede” pelos homens. Não apenas isso: como Mãe, ela também deseja que se manifeste o poder messiânico do Filho, ou seja, seu poder salvífico destinado a socorrer a desgraça humana, a libertar o homem do mal que, sob diversas formas e graus, pesa sobre sua vida.  (Redemptoris Mater, 21)

G: Quando não há oração, a alma se enfraquece. Procuremos fazer com que nossa vontade vigie a si mesma e não nos confiemos quando não há obstáculos.

L3: Sobre São Maximiliano, o irmão Lucas Kuszka lembra: “Várias vezes ao dia, ele visitava Jesus no Sacrário. Ele dizia: ‘Aqui reside nossa fortaleza, aqui está nossa fonte de santificação’”. O fruto dessa intensa vida espiritual – dessa “fé viva”, como o irmão Lucas a chama – manifestava-se em sua alegria constante. Quando as coisas em Niepokalanów iam bem, ele se alegrava de todo o coração com todos e agradecia fervorosamente à Imaculada pelas graças recebidas por sua intercessão. Quando as coisas iam mal, ele continuava contente e costumava dizer: “Por que deveríamos ficar tristes? A Imaculada, nossa Mãezinha, não sabe, por acaso, tudo o que está acontecendo?”. E, de fato, a vida do Padre Maximiliano, apesar de seus sofrimentos e múltiplas dificuldades, parecia estar irradiada por uma atmosfera de alegria”.

G: Dos escritos do Padre Faccenda

“Somos chamados a seguir o exemplo de Maria, “que faz de sua própria vida um culto a Deus e, desse culto, um compromisso de vida” (cf. Marialis cultus, 21).

L1: “Vida interior, no espírito do Instituto: Daí a necessidade de uma vida interior cada vez mais profunda, verdadeira essência da santidade, pois a alma encontra Deus em sua plenitude, a cada instante da vida, a cada momento do apostolado, em cada expressão da atividade, nas etapas de cada percurso. Realiza-se assim a verdade, que poderia parecer uma utopia, a verdadeira relação entre ação e contemplação; relação que confere à ação um impulso contemplativo e à contemplação um impulso essencialmente ativo”. (…).

Refrão

Oração dos fiéis

G: O Padre Faccenda nos diz: “Vocês encontrarão serenidade, alegria e paz, depois de terem percorrido o caminho que lhes foi indicado e que a Igreja reconheceu como justo, quando viverem a vida interior e a santidade”.

A cada invocação, respondemos: São Maximiliano, rogai a Jesus por nós

– Para que sejamos cada vez mais fiéis à tua herança. Nós te pedimos.

– Para que possamos gerar vida ao nosso redor, como tu, que sempre tiveste um coração acolhedor. Nós te pedimos.

– Para que sejamos artífices do presente, como tu foste em teu tempo. Nós te pedimos.

Oração a São Maximiliano, Apóstolo das vocações

Canto mariano

3º Dia

Tema: A vocação, as vocações

Sinal da Cruz

Introdução

G: “Em um determinado momento da vida, Deus nos oferece um dom: o dom da vocação, da consagração a Ele; por isso, esse dom deve ser acolhido com um ato de fé muito profundo: fé em Seu amor, que, por meio de nós, deseja realizar o plano de salvação, mesmo que sejamos criaturas pouco nobres, insignificantes e limitadas”. (Padre Faccenda)

Oração ao Espírito Santo para todos os dias ou canto

Palavra de Deus:

G: “Minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço. Elas me seguem”. (Jo 10, 27)

L1: Do Evangelho segundo São Lucas (1, 46-48)

E Maria disse: “Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva. Por isso, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações.

L2: Vamos relembrar os dias que se seguiram à visita do Anjo. Maria parte apressadamente para a montanha. Quem vemos no caminho que liga a Galileia à Judeia? Uma jovem caminha, com passos rápidos e alegres: uma jovem que canta. Ela canta porque sua alma está repleta de alegria, a alegria de quem é jovem, de quem tem o coração puro, de quem está cheia de dons, de quem cumpre a vontade divina, de quem vive somente para Deus. (Padre Faccenda)

L3: “Minha alma canta a grandeza do Senhor”. O Senhor foi louvado na terra, como nunca ninguém o havia feito antes; por isso, a paz de Deus está em Maria e Maria está na paz. Portanto, ela pode entregar-se totalmente à alegria. Alegria sem obrigação, alegria sem orgulho.

G: Dos escritos de São Maximiliano:

“O coração do homem é grande demais para poder ser preenchido pelo dinheiro, pela sensualidade ou pelas ilusões da glória, que são ilusórias, embora possam entorpecer. Ele anseia por um bem mais elevado, sem limites e que perdure para sempre. Esse bem é apenas Deus”. (EK 995)

L1: “Eu tinha 26 anos e o mundo era meu. Tinha concluído meus estudos, estava saboreando a ideia de um trabalho interessante e não me faltavam “amigas”. Então, em abril de 1929, alguém me deu um exemplar da publicação de Niepokalanów. Li ali um anúncio que dizia: “As portas da Cidade de Maria estão sempre abertas! Entre por essas portas todos os jovens que aspiram servir a Maria, sem se importar com o custo! É no trabalho contínuo, na renúncia a si mesmos, na penitência, que se encontra o caminho para aquela paz que o mundo não pode dar. Seja qual for a sua capacidade, sua profissão ou talento, há lugar dentro das portas da Cidade da Imaculada. Se você puder se esforçar para viver a pobreza e a castidade heroica em espírito de humildade, seu lugar é aqui. Como recompensa: a alegria do Paraíso, da visão do Deus eterno. Apesar da oposição da família, solicitei a admissão”. (Patricia Treece, O Santo de Auschwitz)

G: Dos escritos do Padre Faccenda

“A vocação: um chamado que se renova a cada dia e que nos leva a percorrer os caminhos do mundo para sermos, nele, fermento do Evangelho”.

L2: “Onde encontraremos essas jovens vocações? Não será, talvez, uma utopia? Não, ainda há jovens, rapazes e moças, que estão esperando que alguém os chame para trabalhar. Sempre há alguém generoso a quem podemos propor trabalhar na vinha do Senhor, consagrar-se totalmente a Ele por meio da Imaculada e deixar-se conquistar pelo heroísmo da caridade, no espírito kolbiano. Sempre há alguém a quem Deus fala; mas a Palavra precisa ser ouvida, e será ouvida na medida em que orarmos ao Dono da colheita. Sinto que nosso trabalho vocacional deve ser mais intenso e mais profundo, com a criatividade própria de cada Missionária, de cada comunidade, de todo o Instituto, dos Missionários e dos Voluntários”.

Refrão

Oração dos fiéis

G: Deus nos ama e sabe do que precisamos. A cada invocação, respondemos: Senhor, confiamos em Ti.

– Assim como desde sempre escolheste homens e mulheres para te seguirem na Igreja, pedimos-Te que nos concedas novas vocações para nossa família consagrada. Oremos.

– Dá àqueles que chamas a força para te seguirem sem olhar para trás. Oremos.

– Pedimos-Te que nos concedas fidelidade para te seguirmos sempre, sem desanimarmos. Oremos.

Oração a São Maximiliano, Apóstolo das vocações

Canto mariano

4º Dia

Tema: Os jovens

Sinal da Cruz

Introdução

G: “Entre rotativas, editoriais de jornais, emissoras de rádio, frades bombeiros e corridas de bicicleta, pode ser difícil imaginar um frei Maximiliano tranquilo e sereno, dedicando-se aos jovens e às crianças para transmitir-lhes a palavra da verdade. No entanto, ele soube exercer também esse ministério, com tanta dedicação e competência, que conquistou a confiança e a estima de todos aqueles que tiveram a sorte de ouvi-lo”. (Padre Faccenda)

Oração ao Espírito Santo para todos os dias ou canto

L1: Do Evangelho segundo São Marcos (10, 17-22)

Tendo ele saído para se pôr a caminho, veio alguém correndo e, dobrando os joelhos diante dele, suplicou-lhe: “Bom Mestre, que farei para alcançar a vida eterna?”. Jesus disse-lhe: “Por que me chamas bom? Só Deus é bom. Conheces os mandamentos: não mates; não cometas adultério; não furtes; não digas falso testemunho; não cometas fraudes; honra pai e mãe”. Ele respondeu-lhe: “Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha mocidade”. Jesus fixou nele o olhar, amou-o e disse-lhe: “Uma só coisa te falta; vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me”. Ele entristeceu-se com essas palavras e foi-se todo abatido, porque possuía muitos bens.

G: Assim como a esse jovem, o Senhor também nos olha com amor e nos convida a segui-Lo, entregando tudo.

Hoje queremos rezar especialmente pelos jovens, para que se deixem cativar por esse olhar, assim como o Papa Leão os convidou:

L2: O Papa Leão XIV dirige-se aos jovens

“Queridos jovens, não tenham medo de entregar tudo – seu tempo, suas energias – a Deus e aos irmãos, de se entregarem por completo ao Senhor e aos outros. Só assim vocês encontrarão uma alegria sempre nova e um sentido cada vez mais profundo na vida. O mundo precisa do testemunho de vocês para superar os desvios do nosso tempo e enfrentar seus desafios e, sobretudo, para redescobrir o sabor do amor a Deus e ao próximo”. (Discurso do Papa Leão XIV aos jovens de Mônaco – 28 de março de 2026)

G: O Padre Faccenda nos diz

“Quem conheceu o frei Maximiliano não pode deixar de admirar o amor sem limites que ele sentia pela juventude”.

L3: Testemunhos sobre São Maximiliano

Sofía Roszkowska, professora polonesa de um vilarejo a três quilômetros de Grodno, guarda várias histórias e episódios sobre o padre Maximiliano Kolbe:

“Quando o padre Maximiliano, duas vezes por semana, vinha à escola para a aula de religião, ele estendia a mão para nós dizendo: ‘Que a Virgem Imaculada nos ajude’; e fazia o mesmo ao se despedir”.

“Quando ele cruzava a soleira da nossa escola, parecia-nos ver entrar um ser que não era deste mundo. Professores e crianças ficavam encantados com seu carisma”.

Refrão

Oração dos fiéis

G: A cada intenção, pedimos: São Maximiliano, intercede pelos jovens.

– Pedimos por aqueles jovens que estão desorientados, que vivem em um mundo de trevas e que buscam a resposta para suas inquietudes mais profundas em lugares ou pessoas que não os satisfazem. Oremos.

– Pedimos por aqueles jovens que iniciaram um caminho de fé, mas viveram experiências negativas dentro da Igreja; para que seus corações sejam reconfortados. Oremos.

– Pedimos que os jovens se deixem olhar por Ti, que experimentem o Teu Amor e se animem a deixar tudo para seguir-Te. Oremos.

Oração a São Maximiliano, Apóstolo das vocações

Canto mariano

5º Dia

Tema: As famílias

Sinal da Cruz

Introdução

G: A família, nos tempos modernos, sofreu, talvez mais do que qualquer outra instituição, o impacto das transformações amplas, profundas e rápidas da sociedade e da cultura. Muitas famílias vivem essa situação permanecendo fiéis aos valores que constituem o fundamento da instituição familiar. Outras sentem-se inseguras e desanimadas diante de sua missão, e até mesmo em estado de dúvida ou de ignorância quanto ao significado último e à verdade da vida conjugal e familiar. Outras, por fim, devido a diversas situações de injustiça, veem-se impedidas de exercer seus direitos fundamentais. (Familiaris Consortio, 1)

Hoje queremos nos unir para rezar especialmente pelos casais e pelas famílias, que “constituem um dos bens mais preciosos da humanidade”

Oração ao Espírito Santo para todos os dias ou canto

Refrão

G: Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, chamando-o à existência por amor; ao mesmo tempo, chamou-o ao amor. Deus é amor e vive em si mesmo um mistério de comunhão pessoal de amor. Ao criá-la à sua imagem e mantê-la continuamente no ser, Deus inscreve na humanidade do homem e da mulher a vocação e, consequentemente, a capacidade e a responsabilidade do amor e da comunhão.

L1: Do livro do Gênesis (1, 2-28.31)

Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher. Deus os abençoou: “Frutificai – disse ele – e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a”. (…) Deus contemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom.

L2: Do livro do Gênesis (1, 22-24)

E da costela que tinha tomado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher, e levou-a para junto do homem. “Eis agora aqui – disse o homem – o osso de meus ossos e a carne de minha carne; ela se chamará mulher, porque foi tomada do homem.” Por isso, o homem deixa o seu pai e a sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne.

L3: “Os dois se tornarão uma só carne” (Mt 19, 5), repete Jesus, lembrando o Gênesis, onde se diz que o homem deixa seu pai e sua mãe para se unir à sua esposa. E o Padre Maximiliano explicava: “Esse amor é criado por Deus e elevado à dignidade de sacramento. Era compreensível, portanto, que ele se revoltasse contra certas revistas, por mais respeitáveis que pudessem parecer sob outros aspectos, mas que zombavam da indissolubilidade do matrimônio. É natural que ele também lamentasse profundamente as separações entre cônjuges e estivesse disposto a empregar todos os meios para que restabelecessem uma situação normal. (Jean-Francois de Louvencourt. São Maximiliano Kolbe, amigo e doutor da oração)

L1: Dos escritos do Padre Faccenda

“O amor à própria família deve ser total, não se coloca em discussão (…). Caso contrário, se rejeitarmos a família, estaremos nos opondo àquele que nos deu a vida, àquele que nos gerou, àquele que nos fez crescer”.

Oração dos fiéis

G: A cada invocação, respondemos: São Maximiliano Kolbe, padroeiro das famílias, rogai por nós.

– São Maximiliano, que entregaste a tua vida por um pai de família, ajuda os casais jovens a crescer e a confiar em sua vocação ao amor. Oremos.

– São Maximiliano, ajude as famílias a crescerem na comunicação e no diálogo em cada lar. Oremos.

– São Maximiliano, interceda pelas famílias em dificuldade, para que encontrem, por meio da oração e de pessoas que as acompanhem, a força para se curarem. Oremos.

Oração a São Maximiliano, Apóstolo das vocações

Canto mariano

6º Dia

Tema: A missão

Sinal da Cruz

Introdução

G: O Padre Faccenda nos diz

“O espírito missionário é a herança mais sagrada que São Maximiliano Kolbe lhes deixou, aquela que os torna capazes de viver e morrer com Maria, de trabalhar e sofrer pelas almas. E é isso que lhes desejo de todo o coração”.

Oração ao Espírito Santo para todos os dias ou canto

L1: Dos escritos do Padre Faccenda

Quatro exigências indispensáveis da vocação missionária, quatro Cs que se tornam uma referência importante: entre elas, a caridade-comunhão.

a) Consciência missionária

b) Carga interior

c) Criatividade

d) Comunhão e caridade

(…) Pois a missionariedade é aquele fogo irresistível que impulsionava Paulo a proclamar o Evangelho aos povos gentios.

Pois a missionariedade é aquele fogo inextinguível que brota de uma vida profundamente interior, alimentada pela oração, pela meditação e pelos santos sacramentos.

Refrão

L2: Do Evangelho segundo São Marcos (6, 6-13)

Jesus, ensinando, percorria as aldeias circunvizinhas. Então, chamou os Doze e começou a enviá-los, dois a dois; e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos. Ordenou-lhes que não levassem coisa alguma para o cami­nho, senão somente um bordão; nem pão, nem mochila, nem dinheiro no cinto; como calçado, unicamente sandálias, e que se não revestissem de duas túnicas. E disse-lhes: “Em qualquer casa em que entrardes, ficai nela, até vos retirardes dali. Se em algum lugar não vos receberem nem vos escutarem, saí dali e sacudi o pó dos vossos pés em testemunho contra ele”. Eles partiram e pregaram a penitência. Expeliam numerosos demônios, ungiam com óleo a muitos enfermos e os curavam.

Dos testemunhos de São Maximiliano

L3: O Padre Juan Burdyszek relembra o retorno de frei Maximiliano Kolbe a Niepokalanów em 1933: Nós, os jovens seminaristas, estávamos muito entusiasmados por ver pessoalmente nosso missionário de barba longa. Aquele dia de maio já era, por si só, magnífico, com um sol radiante. O Padre Maximiliano celebrou uma missa de ação de graças na capela que ele mesmo havia ajudado a construir. Todos os moradores da Cidade da Imaculada, mais de 400, se reuniram diante da estátua da Virgem, do lado de fora do refeitório. Mal conseguia ouvir sua voz em meio à multidão. Dava para perceber seu cansaço e exaustão após a longa viagem. Ele falou como sempre, com as palavras mais simples, como um pai que fala aos filhos. Ele nos encorajou no amor fraterno: “Amai-vos uns aos outros, sede humildes de coração, não desanimem nem mesmo pelos pecados cometidos em sua fraqueza…”.

Refrão

Oração dos fiéis

G: A cada invocação, respondemos: Fortalece, Senhor, nosso coração missionário

– Pelos missionários presentes em todo o mundo. Oremos.

– Pelas vocações missionárias. Oremos.

– Por todos nós que seguimos a espiritualidade de Maximiliano Kolbe, para que tenhamos o coração inflamado como o dele. Oremos.

Oração a São Maximiliano, Apóstolo das vocações

Canto mariano

7º Dia

Tema: Os meios de comunicação

Sinal da Cruz

Introdução

G: São Maximiliano dedicou-se à evangelização utilizando todos os meios ao seu alcance. Acima de tudo, recorreu à sua fé e à sua confiança na Imaculada. Deu um grande testemunho de sua fidelidade ao Senhor Jesus e de sua liberdade para enfrentar os poderes deste mundo.

São Maximiliano aproveitou o enorme potencial dos meios de comunicação para servir à causa da Imaculada. Nesse sentido, foi precursor e profeta do que a Igreja veio a compreender e colocar em prática muito mais tarde. Agora, mais do que nunca, graças a esses meios,a Igreja tem a oportunidade de levar verdadeiramente o Evangelho a todos os homens e a todas as nações.

Oração ao Espírito Santo para todos os dias ou canto

Refrão

G: Jesus nos convida a compartilhar uma experiência de vida: “o que lhes disse em particular” – na oração, na meditação, na adoração –, “proclamem-no dos telhados de hoje” – celulares, redes sociais, meios de comunicação.

Ele nos convida a viver isso tendo em mente que o primeiro meio de comunicação somos nós mesmos, e é nossa tarefa proclamá-lo àqueles que encontramos em nossos

próprios ambientes familiares, profissionais, sociais…

L1: Do Evangelho segundo São Mateus (10, 26-27)

Não os temais, pois; porque nada há de escondido que não venha à luz, nada de secreto que não se venha a saber. O que vos digo na escuridão, dizei-o às claras. O que vos é dito ao ouvido, publicai-o de cima dos telhados.

L2: Esses telhados da atualidade são os sites, as plataformas, os algoritmos… que, com o desenvolvimento das tecnologias, tentam “substituir” a pessoa humana – um risco que, como cristãos e consagrados, comprometidos com a evangelização, devemos enfrentar.

G: A mensagem do Papa Leão XIV por ocasião do Dia Mundial das Comunicações Sociais nos ajuda a ter sempre claro que os meios de comunicação são um auxílio, mas nunca substituirão a comunicação humana, e nos convida a preservar as vozes e os rostos humanos:

• L3: O rosto e a voz são traços únicos e distintivos de cada pessoa; manifestam sua identidade própria e irrepetível e são o elemento constitutivo de todo encontro.

• L4: O rosto e a voz são sagrados. Foram-nos dados por Deus, que nos criou à sua imagem e semelhança, chamando-nos à vida com a Palavra que Ele mesmo nos dirigiu.

• L1: Proteger os rostos e as vozes humanas significa preservar esse selo, esse reflexo indelével do amor de Deus. Não somos uma espécie composta por algoritmos bioquímicos definidos de antemão. Cada um de nós tem uma vocação insubstituível e inimitável que brota da vida e se manifesta precisamente na comunicação com os outros.

• L2: A questão que nos interessa, no entanto, não é o que a máquina consegue ou conseguirá fazer, mas o que nós podemos ou poderemos fazer, crescendo em humanidade e conhecimento, com um uso sensato de instrumentos tão poderosos a nosso serviço.

• L3: O desafio que nos espera não é o de deter a inovação digital, mas o de orientá-la; cabe a cada um de nós levantar a voz em defesa dos seres humanos para que essas ferramentas possam realmente ser integradas por nós como aliadas. Essa aliança é possível, mas precisa se basear em três pilares: responsabilidade, cooperação e educação.

G: A preocupação de São Maximiliano Kolbe é mais atual do que nunca: utilizar os meios de comunicação social para levar o maior número possível de almas a Deus por meio da Santíssima Maria. O centro sempre foi, é e será sempre a pessoa, com seu rosto e sua própria voz.

L4: Dos escritos de São Maximiliano

“Quando o fogo do Amor se acende, ele não pode ficar confinado aos limites do coração, mas sai, acende, devora e conquista outros corações para o próprio Ideal”. (EK 1325)

L1: “Para nós, os consagrados a Maria, é necessário que saíamos de nossos ambientes e vamos conquistar os corações para a Virgem. Cada coração que bate e baterá sobre a terra até o fim do mundo deve pertencer a Maria, e isso, o mais rápido possível”. (EK 206)

O Padre Faccenda nos diz

G: No mundo de hoje e de amanhã

O Instituto é chamado a evangelizar em virtude do carisma mariano-missionário e também por sua própria natureza secular, que lhe permite estar presente nos “areópagos modernos” para proclamar, com palavras e ações, a boa nova do Evangelho e ser fermento no mundo de hoje e de amanhã.

Refrão

G. O Oadre Faccenda nos diz

“O problema missionário se torna cada vez mais urgente:

O clamor de Jesus ‘Tenho sede’ é sempre atual.

‘Ide e evangelizai’ é sempre atual.

‘Eu estarei com vocês até o fim do mundo’ é sempre atual.

‘Há almas enganadas’ é sempre atual.

‘Estender a mão a todos e levá-los a Deus por meio de Maria’ é sempre atual.

Porque reflete o mandamento de Cristo, assumido por São Maximiliano Kolbe e retomado por João Paulo II. Espírito missionário e espírito de evangelização. O problema é como estender a mão, como evangelizar? E a resposta é esta: ‘Generosidade na evangelização’”.

Oração dos fiéis

G: Senhor, que disseste: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos”, por intercessão de São Maximiliano Kolbe, cuja vida é um exemplo desse amor, suplicamos que ouças nossas orações. A cada pedido, respondemos: Ouvi-nos, Senhor!

– Pela Igreja, para que, seguindo o exemplo da Virgem Maria, acolha, celebre e anuncie o Evangelho da vida, especialmente por meio dos novos meios de comunicação social. Oremos.

– Para que possamos crescer em responsabilidade, cooperação e educação diante do desafio da inovação digital. Oremos.

– Por todos nós, para que saibamos dar testemunho e ser como Maria nos “areópagos modernos”. Oremos.

Outras intenções podem ser acrescentadas espontaneamente.

G. A São Maximiliano Kolbe confiamos os jovens que estão em busca de seu projeto de vida e de sua vocação. Também queremos renovar a nossa, ter o coração aberto e disponível ao Espírito Santo, que ilumina e conduz nosso caminho.

Oração a São Maximiliano, Apóstolo das vocações

Canto mariano

8º Dia

Tema: O estudo e o trabalho

Sinal da Cruz

Introdução

G: O estudo e o trabalho são dons que Deus nos confia para colaborarmos em sua obra criadora e servirmos aos nossos irmãos. São Maximiliano Kolbe nos ensina que toda tarefa, grande ou pequena, adquire um valor imenso quando realizada por amor, em obediência à vontade de Deus e de mãos dadas com a Imaculada. Neste momento de oração, ofereçamos ao Senhor nossas responsabilidades cotidianas para que, unidas a Cristo e a Maria, se tornem um caminho de santidade e missão.

Oração ao Espírito Santo para todos os dias ou canto

L1: Da Carta aos Colossenses (3, 23-24)

Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens, certos de que recebereis, como recompensa, a herança das mãos do Senhor. Servi a Cristo, Senhor.

L2: Dos testemunhos de São Maximiliano

Seus colegas de estudo não paravam de se surpreender com sua inteligência. (…) Ele era um bom colega, alegre e entusiasmado, sempre disposto a ajudar os outros nos estudos (era famoso por suas explicações claras). Apesar das boas notas, era simplesmente um “garoto”, ingênuo e simples.

L3: Ao abençoar o gerador elétrico, dirigiu-se a ele com as palavras de São Francisco: «Irmão motor! O que eu deveria desejar para ti? Que ajudes a imprimir bem? Desejo que sirvas pontualmente à nossa Santíssima Rainha e Mãe. Hoje nós te abençoamos e tu recebes o hábito. Depois, serás preparado: isso será o teu noviciado; em seguida, serás colocado para trabalhar e isso será a tua profissão de votos. O que mais devo desejar para ti? Que trabalhes por muito tempo? Que tenhas muitos companheiros? Que sejas eficiente? Ah, não! Não te desejo mais do que uma coisa: que possas cumprir os desejos de Nossa Senhora. Um bom religioso é bom não porque faz muito, mas porque obedece. Portanto, irmão Motor, serás um bom religioso se fizeres exatamente o que a Santíssima Virgem pede de ti, quer te retirem amanhã, quer continues trabalhando por cem anos”.

G: O Padre Faccenda acolhe o rico ensinamento de São Maximiliano e estimula à ação.

L1: «Seguindo os ensinamentos desse grande Mestre, vocês também, (…) aprenderão a se sentir membros vivos e ativos do Corpo Místico, sensíveis ao «Sede sede» do Redentor agonizante, instrumentos eficazes de conquista nas mãos de Maria, crescendo a cada dia no espírito íntimo da Consagração para que ela seja realmente uma oferta de vítima com intenções apostólicas.

Por isso, seja quando comem, rezam, brincam, sofrem, estudam, ensinam, vão à escola ou se dedicam às tarefas ocultas do dia a dia; seja na doença, na saúde, na glória, no opróbrio, que o coração de vocês alimente uma única paixão: a glória de Deus e a salvação dos irmãos, unida à certeza de que tudo tem o mesmo valor, quando tudo é vivido com o mesmo amor.

Refrão

Oração dos fiéis

G: A cada intenção, respondemos: São Maximiliano, interceda por nós.

– Para que, em todas as atividades que realizarmos, possamos cumprir os desejos de “Nossa Senhora”. Oremos.

– Para que coloquemos a serviço os dons que o Senhor nos concedeu. Oremos.

– Para que possamos transmitir às novas gerações o amor pelo trabalho que cada um realiza. Oremos.

Oração a São Maximiliano, Apóstolo das vocações

Canto mariano

9º Dia

Tema: Luz em meio à guerra

Sinal da Cruz

Introdução

G: Vivemos em um mundo onde, muitas vezes, a violência, a dor e o desespero parecem prevalecer. No entanto, Deus continua acendendo luzes em meio à escuridão, pessoas que, com seu amor e dedicação, refletem a presença de Cristo. Hoje contemplamos Sua presença em São Maximiliano Kolbe, cuja vida foi um sinal luminoso de esperança, e pedimos ao Senhor que também nós possamos ser luz e construtores da paz em nosso mundo.

Oração ao Espírito Santo para todos os dias ou canto

Gesto: Pode-se começar em um local escuro ou em penumbra. Pode-se ir acendendo as luzes, velas ou lanternas do celular enquanto se lê o Evangelho e o testemunho de São Maximiliano Kolbe.

L1: Do Evangelho segundo São Mateus (5, 14-16)

Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situa­da sobre uma montanha nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa. Assim, brilhe vossa luz dian­te dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus.

L2: Dos testemunhos de São Maximiliano

O fato causou um enorme impacto em todo o campo. De repente, percebemos que alguém entre nós, naquela noite espiritual sombria da alma, estava erguendo a bandeira do amor em direção ao céu. Alguém desconhecido, como qualquer outro, torturado e despojado de seu nome e condição social, caminhou rumo a uma morte horrível por amor a alguém com quem nem sequer tinha qualquer laço.

L3: Por isso, gritamos que não é verdade que a humanidade esteja jogada e pisoteada na lama, derrotada pelos opressores e abatida pelo desespero. Milhares de prisioneiros estavam convencidos de que o mundo verdadeiro continuava existindo e que nossos torturadores não seriam capazes de destruí-lo. Mais de um começou a buscar dentro de si esse mundo real; encontrou-o e o compartilhou com seus companheiros do campo, consolando-se mutuamente nesse encontro com o mal.

L2: Dizer que o frei Maximiliano morreu por um de nós, ou pela família dessa pessoa, seria redutivo. Sua morte significou a salvação de milhares. E nisso, eu diria, reside a grandeza dessa morte. É assim que a sentimos. E enquanto vivermos, nós, que estivemos em Auschwitz, inclinaremos nossas cabeças em memória dela, assim como naquela época inclinávamos as cabeças diante do bunker da morte por fome. Aquilo foi um choque cheio de otimismo, que nos regenerou e nos confortou. Ficamos impressionados com aquele ato, que se tornou para nós uma poderosa explosão de luz na noite escura do campo…

(Acendem-se as luzes)

G: Em meio à escuridão de Auschwitz, São Maximiliano Kolbe foi uma luz que não deixou de brilhar. Com sua entrega generosa e seu amor até o extremo, ele refletiu o rosto de Cristo, Rei da paz e Luz do mundo. Assim como Jesus venceu as trevas com a força do amor, também Kolbe iluminou a noite do sofrimento com a esperança, mostrando que o bem, a fraternidade e a fé são mais fortes que o ódio e a violência… e que somente o amor é criador.

L1: O Papa Leão XIV nos diz

Olhemos para Jesus, que se apresenta como Rei da paz, enquanto ao seu redor se prepara a guerra. Ele, que permanece firme na mansidão, enquanto os demais se agitam na violência. Ele, que se oferece como uma carícia para a humanidade, enquanto os outros empunham espadas e porretes. Ele, que é a luz do mundo, enquanto as trevas estão prestes a cobrir a terra. Ele, que veio para trazer vida, enquanto se concretiza o plano para condená-lo à morte. Como Rei da paz, Jesus deseja reconciliar o mundo no abraço do Pai e derrubar todos os muros que nos separam de Deus e do próximo, pois Ele “é a nossa paz” (Ef 2, 14).(Homilia, Domingo – 29 de março de 2026)

L3: Dos escritos do Padre Faccenda

Portanto, também a São Maximiliano nós prestamos uma homenagem especial, pois ele exerceu uma profunda influência em nossa vida. E também porque ele continua: guiando-nos com sua luz, servindo de modelo com seu testemunho e com sua intercessão, para que possamos obter as graças e as forças necessárias para prosseguir em nosso caminho. Portanto, acima de tudo, São Maximiliano Kolbe é luz para nos guiar à santidade. É luz, ou seja, quer nos ajudar a compreender bem qual é o objetivo da nossa vida.

Refrão

Oração dos fiéis

G: A cada intenção, respondemos: São Maximiliano, ajuda-nos a ser luz no mundo.

– Pelas pessoas que vivem em um mundo de trevas, devido a dificuldades físicas, emocionais, profissionais e relacionais. Oremos.

– Por aqueles que vivem em países que estão sofrendo com a guerra, para que a luz da esperança não se apague em seus corações. Oremos.

– Por cada um de nós, para que, com a graça de Deus, mantenhamos acesa a chama da fé e da caridade e sejamos lâmpadas acesas onde quer que estejamos. Oremos.

Oração a São Maximiliano, Apóstolo das vocações

Canto mariano

Inteligência artificial: vamos ficar atentos a ela?
Foto: Imagem de hainguyenrp por Pixabay

Fiz algo que há muito tempo não fazia. Decidi iniciar este texto à mão, como se fazia antigamente. Nada de celular, computador ou qualquer meio eletrônico.

A tecnologia pode sempre nos ajudar, mas é preciso reconhecer quando ela pode nos causar um mal. E nesse caso, descobrir como esse mal se apresenta.

O Papa Leão XIV tem nos lembrado os riscos do uso de uma tecnologia muito utilizada ultimamente, a inteligência artificial, ou IA, como também é comumente chamada, que, apesar de ser algo incrível e até mesmo revolucionária, pode nos trazer muitos riscos se não for pensada para o bem comum.

A mesma inteligência artificial que pode comparar um grande número de exames raio-x, por exemplo, e ser mais rápida do que seres humanos no diagnóstico de uma doença grave, pode ser usada para enganar pessoas em uma campanha eleitoral.

Hoje em dia, é perfeitamente possível “criar” um vídeo de uma pessoa que existe na realidade dizendo coisas que ela jamais diria na vida real, por exemplo. A mentira fica tão bem contada que é difícil distinguir o que é real de o que é inventado.

Ou ainda, a invenção pode ganhar contornos ainda mais cruéis. A foto de uma pessoa pode ser usada para criar uma pessoa falsa na internet, seja para uso em um comercial ou até mesmo em conteúdos criminosos ou pornográficos.

As aplicações da inteligência artificial podem ser tanto positivas quanto negativas. Por isso, o povo de Deus deve ser esclarecido quanto aos seus benefícios e possíveis malefícios. Precisamos estudar o tema, e instruir a todos.

O papa também alerta sobre os riscos de nos vermos totalmente dependentes da IA para atividades criadoras. Se aos poucos deixarmos de escrever, criar, compor e, principalmente, pensar com nossos próprios cérebros, tais capacidades tendem a ficar comprometidas e mais difíceis de serem executadas.

Por isso, por mais confortável que seja para nós, deixar que a máquina faça todo o trabalho, é preciso lembrar que algumas atividades nos convém manter, pelo simples fato de que não podemos perdê-las. Além disso, a máquina jamais irá superar o pensamento humano. recentemente, o Papa exortou os padres a fazerem suas homilias sem usar a IA.

Com todo o cenário tecnológico que se constrói, fica cada vez mais claro que a leitura crítica, a leitura de livros clássicos, a oração, empatia, autoconhecimento, meditação e encontro com as riquezas de Deus dentro de cada um de nós certamente serão os grandes tesouros da vida futura. Ou seja, tudo aquilo que nos torna verdadeiramente humanos serão capacidades necessárias para nossa sobrevivência.

O uso da IA vai demandar de todos nós muitas reflexões e decisões no exercício de nossa cidadania. Afinal, as preocupações com a IA vão além da falta de empregos.

Especialistas na área dizem que hoje são muitos os gastos de recursos naturais para mantê-la em funcionamento e que os países mais pobres são os mais prejudicados na guerra pelos minérios necessários para sua manutenção e desenvolvimento. Hoje já se fala, inclusive, no risco de adoção de armas autônomas, criadas a partir da IA, o que tornaria ainda mais profunda a desigualdade entre países ricos e pobres.

Segundo especialistas, da mesma forma que em um passado remoto, em que não havia luz elétrica, era difícil imaginar um carro elétrico e um micro-ondas, assim também hoje é difícil imaginar tudo o que a IA poderá trazer de benefícios, se assim o mundo caminhar: com foco no bem comum.

Por outro lado, estejamos atentos, críticos e conscientes dos riscos inerentes a ela, para juntos buscarmos, cada um na medida em que lhe cabe, um mundo onde a tecnologia tenha como foco o ser humano e o bem comum, e não o bem de poucos às custas da vida e sofrimento de muitos.

Clique para ver a mensagem do Papa Leão XIV

Thais Veiga

Jornalista

Nós temos que Ressuscitar!

Durante a propícia preparação de 44 dias, incluindo os domingos, nosso coração ansiava pelo “Canto do Aleluia!”. Um Canto de alegria e reconhecimento a Deus pela oportunidade de trilhar esse caminho rumo à Páscoa e, vale dizer, sempre unidos à sua e nossa Mãe, Maria.

Quinta-feira Santa: o Grande Dom da Eucaristia

Sabemos pelos relatos dos quatro Evangelistas que Jesus pediu aos discípulos que preparassem a Páscoa, indicando-lhes até mesmo o lugar.

Tradicionalmente, a preparação da comida para o Pessach (Páscoa dos Judeus) é um esforço coletivo da família, mas recai historicamente sobre as mulheres da casa a responsabilidade pela execução das receitas festivas e pelo rigoroso cuidado com as leis alimentares. Podemos intuir então, que Nossa Senhora também deveria estar lá, para preparar as receitas tradicionais e para a organização da cozinha.

O Lava-pés

São João (13,1-15) narra o lava-pés, onde Jesus, na última ceia e ciente de sua paixão, demonstra amor extremo ao lavar os pés dos discípulos, invertendo a lógica de poder. Ele estabelece o serviço humilde como o exemplo supremo para seus seguidores: “Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros”. 

Como é bela e clara a didática de Jesus! Ele, o Senhor e Mestre com seu exemplo de humildade e serviço, mostra que é perfeitamente possível para os discípulos e também para nós esse serviço mútuo de amor, humildade, solidariedade, proximidade e compromisso com os irmãos.

Como afirmou Frei Luigi Faccenda – “com este exemplo, Jesus nos disse que não é suficiente pensar ou dizer: quero viver o amor a todos; é necessário amar concretamente e no serviço”. E ainda, Frei Faccenda nos apresenta a atitude de Frei Kolbe que fala por si só:

“Frei Kolbe exemplificou este aspecto do amor recíproco. O seu coração se doou generosamente a todos; este seu doar-se não lhe foi roubado nem mesmo no campo de concentração. Eis o que escreveu dele uma testemunha daqueles dias: “Como era grande, incomensurável e maravilhosa a sua humanidade! Era tão bom! Amava a Deus mais do que a si mesmo. Que apóstolo! … Um dia colocou um pedaço de pão no meu bolso e disse: ‘Você é jovem e tem mais necessidade do que eu’”. (Luigi Faccenda – Só o Amor Constroi!)

A Instituição da Eucaristia

Porém, sem dúvida, o ponto focal e mais importante da Quinta-feira Santa é a Instituição da Eucaristia.

São Maximiliano encantado e profundamente agradecido pela sensibilidade de Jesus de querer permanecer conosco, escreve em forma de diálogo, um belíssimo artigo em 1919: 

“O teu Coração não permitiu que eu me nutrisse unicamente das lembranças do teu imenso amor. Permaneceste nesta desprezível terra no santíssimo e admirável Sacramento do altar e agora vens a mim e te unes estreitamente comigo sob a forma de alimento… O teu Sangue já corre no meu sangue, tua Alma, ó Deus encarnado, se compenetra com a minha alma, fortalecendo-a e alimentando-a.

Que milagres! Quem ousaria supor?”. (EK 1145)

Sexta-feira da Paixão: o Ato Supremo do Amor

A Narrativa da Paixão, o julgamento, a crucificação e a morte de Jesus, é feita pelos quatro Evangelistas. Embora relatem os mesmos eventos centrais, cada um destaca aspectos diferentes.

São Mateus (cap. 27): Foca no cumprimento das profecias, na angústia de Judas, no julgamento perante Pilatos e nos fenômenos cósmicos (terremoto, véu do templo rasgado) que acompanharam a morte de Jesus.

São Marcos (cap. 15): Apresenta uma narrativa rápida e direta, focando no sofrimento físico de Jesus e no momento em que ele expira, destacando a exclamação do centurião romano: “Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus”.

São Lucas (cap 23): Enfatiza a compaixão e a humanidade de Jesus, relatando o diálogo com as mulheres de Jerusalém, o perdão aos seus algozes e a conversa com o “bom ladrão” na cruz.

São João (caps. 18-19): Oferece um relato mais teológico, destacando Jesus como o Rei que domina os acontecimentos. Foca na presença de Nossa Senhora e do “discípulo amado” aos pés da cruz. Depois São João mostra a declaração final: “Tudo está consumado!”. A obra da redenção foi realizada. Ele obedeceu até o fim, entregando-se em total fidelidade ao Pai e em total doação aos irmãos.

Neste dia Santo, somos convidados a meditar profundamente, sobre as últimas frases proferidas por Jesus na Cruz:

“Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34)

Este gesto de perdão extremo torna-se para todos nós um modelo de amor incondicional, como nos exorta o apóstolo Paulo: “Sede misericordiosos como também vosso Pai é misericordioso”. (Lc 6,36) 

“Hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23,43)

A nossa esperança na feliz “Vida Eterna” não é em vão já que a promessa do paraíso manifesta a força salvadora do arrependimento sincero e da fé, mesmo no último instante.

“Mulher, eis aí o teu filho… Eis aí tua mãe” (Jo 19,26-27)

O Dom de sua Mãe a João e por ele a todos nós, é a garantia de que não estamos sozinhos. A bondade e misericórdia de Jesus, criaram para nós uma Mãe, que é a personificação da bondade e do amor infinitos de Cristo. Frei Faccenda, reconhecendo e agradecendo o amor infinito de Deus, declara: “João e Maria se olham: um ato de amor passa do coração de João ao Coração de Maria, e um ato de amor passa do Coração de Maria ao Coração de Jesus, e parece que lhe diga: ‘Morre tranquilo, meu filho. Eu serei a mamãe dos teus filhos. Não os deixarei órfãos…’”. (cf. Luigi Faccenda – Sulle strade con Maria, pg. 82-84)

“Maria, com fortaleza permanece aos pés da Cruz de Jesus. Maria é a Mãe de todos os doentes e sofredores. É a Mãe do Crucificado Ressuscitado: permanece ao lado das nossas cruzes e acompanha-nos no caminho rumo à ressurreição e à vida plena… Quem está aos pés da Cruz com Maria, aprende a amar como Jesus”. (XXII Jornada Mundial do Doente,11.02.2014)

“Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mt 27,46; Mc 15,34)

Esta frase, também é encontrada no Salmo 22, apesar de expressar o drama do sofrimento extremo, manifesta também a oração perseverante dequem confia mesmo nas trevas. Jesus experimenta a dor do abandono, identificando-se com os que sofrem e assumindo até as profundezas da dor humana.

Frei Kolbe dirá: “O vértice do amor é o estado no qual ‘se encontra Jesus sobre a cruz quando disse: ‘Meu Deus, meu Deus porque me abandonaste?’ (Salmo 21, 2; Mt 27, 46; Mc 15,34). Sem sacrifício não existe amor”. (EK 504)

“Tenho sede” (Jo 19,28)

Esta palavra revela não apenas a dimensão física do sofrimento de Cristo, mas também é interpretada espiritualmente como sede de almas, sede de amor, sede da salvação da humanidade. É a sede de quem deu tudo e ainda anseia pela nossa resposta.

A esse respeito, Frei Faccenda confirma: “Depois da entrega da humanidade a Maria feita na cruz, Jesus grita: “Tenho sede!” (Jo 19, 28). Maria faz sua esta sede do seu Filho, que era sede de almas, e a comunica incessantemente a todos os seus filhos, a partir de João aos outros apóstolos, e a todos nós. (Luigi Faccenda – Era Mariana)

Esta “sede de almas”, portanto, deve ser a sede de cada um de nós que nos consagramos à Imaculada e viver, com todas as forças, a dimensão missionária que essa consagração importa.

“Tudo está consumado” (Jo 19,30)

O amor de Cristo atingiu o cume. Havia dito um dia: “Ninguém tem maior amor do que este: dar a avida pelos próprios amigos” (Jo 15,13). E João escreverá: “Deus amou tanto o mundo a ponto de dar seu Filho unigênito”. (cf. 3,16)

A vida de um homem termina. Nada fica senão o amor. Jesus morre fora dos muros da cidade. Nós podemos fazer uma analogia com o que aconteceu com Frei Kolbe:

“Kolbe morre exilado, fora do convento. Não na paz de um claustro franciscano, mas no horror desumano de um campo de concentração. As dificuldades, as incompreensões, as provas mais duras não o condicionaram na sua oferta. Inflamaram-no cada vez mais no amor de Deus e do próximo, convicto que ‘a cruz é escola de amor’”. (Missionária Angela Esposito – Quando fogo do amor se acende)

“Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23,46)

Esta afirmação é um ato de confiança absoluta. Com ela, Jesus entrega sua vida ao Pai, encerrando sua missão terrena com a entrega serena de quem ama até o fim e confia plenamente na vontade divina.

São Maximilianonos convida a não perder a paz, viver a alegria mesmo nas quedas. Em caso de quedas nunca se entristecer, porque este é um orgulho asqueroso; ao contrário, levantar-se imediatamente com grande amor e alegria de espírito e seguir adiante. Reparar a queda com um ato de amor perfeito. (cf. EK 34)

Sábado Santo: o Grande Silêncio sobre a Terra

O Sábado Santo (ou Sábado de Aleluia) é um dia de silêncio profundo, luto e espera, é o período em que o corpo de Jesus permaneceu no sepulcro. 

Diferente dos outros dias da Semana Santa, não há leitura de Evangelho durante o dia, pois a Igreja não celebra a Missa nem a Eucaristia. O altar permanece despojado e o tabernáculo vazio. 

A Vigília Pascal 

A celebração só acontece à noite, na Vigília Pascal, considerada a “mãe de todas as vigílias”. Ela é composta por quatro partes muito significativas:

– Liturgia da Luz: Inicia-se com a bênção do fogo e o acendimento do Círio Pascal, que simboliza Cristo ressuscitado, a Luz do Mundo.

– Liturgia da Palavra: São lidas sete leituras do Antigo Testamento (que narram a história da salvação desde a Criação) e duas do Novo Testamento. O ponto alto é o canto solene do Glória e do Aleluia, que não eram entoados desde o início da Quaresma.

– Liturgia Batismal: É o momento em que a água batismal é abençoada e novos fiéis são batizados, ou a assembleia renova suas promessas batismais.

– Liturgia Eucarística: A primeira celebração da Eucaristia da Ressurreição. 

Diferente da Sexta-feira da Paixão (“hora de Cristo”), o sábado é o dia da Mãe, focando na sua confiança inabalável.

– Liturgia da Esperança: Maria é considerada a única chama de fé acesa durante a treva do Sábado Santo, unindo a dor da perda à certeza da ressurreição. 

Sob a Cruz, Maria pronuncia mais uma vez – no silêncio de seu coração – seu sim incondicional. A dor da Mãe de Jesus não é desesperada, mas ainda assim é insuportável, porque é a mais pura dor de uma mãe. Transcorre o sábado, aquele dia interminável, à espera de que tudo aconteça.

Esta força de fé, esta esperança segura, certamente não poderia aliviar sua dor. Ela teve que testemunhar a agonia de seu Filho e sua morte. Ela o segurou pela última vez em seus braços antes de deixá-lo, ao ser levado para a sepultura. Ela teve que aceitar o desapego e o vazio que se abateu sobre ela. É impossível compreender quantos pensamentos “ela guardava em seu coração” (Lc 2, 51).

Páscoa do Senhor

O Domingo de Páscoa é a festa máxima da Igreja Católica, celebrando a vitória da vida sobre a morte. É o encerramento do Tríduo Pascal e o início de um tempo de alegria que dura 50 dias. 

São Maximiliano, na última revista que publicou em 1941, escreveu sobre “A Verdade”: “… Se é verdade que Jesus Cristo ressuscitou, é verdade aquilo que Ele ensinou e que Ele é Deus encarnado; mas se Ele não tivesse ressuscitado, todas as confissões cristãs não teriam razão de existir”. (EK 1246)

Os Evangelhos da Ressurreição

A liturgia varia conforme o ano (A, B ou C), mas os relatos focam na descoberta do túmulo vazio: 

A Visita das Mulheres: Maria Madalena é a figura central. Ao chegar ao sepulcro e não encontrar o corpo, ela corre para avisar os apóstolos. João 20, 1-9 é o evangelho mais lido na missa da manhã.

O “Ver e Crer”: Pedro e o “discípulo amado” correm ao túmulo. O evangelho destaca que eles viram as faixas de linho no chão e o sudário dobrado, o que historicamente indica que o corpo não foi roubado às pressas.

Emaús: Nas missas da tarde, é comum ler sobre os discípulos de Emaús (Lucas 24, 13-35), onde Jesus é reconhecido ao partir o pão. 

O Encontro na Ressurreição

Embora os Evangelhos não registrem uma aparição de Jesus à sua Mãe no domingo (focando em Madalena) uma fortíssima tradição – defendida por santos como João Paulo II – sustenta que Jesus apareceu primeiro à sua Mãe, em um encontro privado de alegria indizível, recompensando sua fidelidade absoluta no Sábado Santo.

Frei Kolbe, quando retorna definitivamente à Polonia em 1938, escreve:

“O Senhor ressuscitou: repetem neste dia milhares de vozes. Também nós ressuscitaremos, e não somente depois da morte, pois cada ano a santa Igreja convida os fiéis a fazer isso, recomendando-lhes a confissão pascal. Com mais motivo temos de ressuscitar nós, consagrados à Imaculada… Quanto mais alguém se aproxima dela, mais abundantemente se enriquece das graças do conhecimento e do amor, de um amor generoso a Deus, que por amor a nós subiu à cruz”. (EK 1230)

Termino, desejando uma Feliz Páscoa, com a voz de Frei Luigi Faccenda que, com certeza, ressuscitou cedo ao céu junto a Jesus e a Virgem Santíssima, e intercede por cada um de nós.

“Portanto vos repito: Feliz Páscoa! Cristo ressuscitou e nós com Ele!”. (Luigi Faccenda – Só o amor Constrói)

Matilde Luvisotto

Voluntária da Imaculada-Padre Kolbe

Cristo nas calçadas: um chamado à fraternidade

Caminhar pelas ruas da cidade de São Paulo, e imagino que também de outras grandes cidades brasileiras, quase sempre é sinônimo de ter acesso a emoções nem sempre positivas. Às vezes, sentimos medo por conta da insegurança, da violência física e do trânsito caótico. Mas uma das emoções mais frequentes tem sido o constrangimento diante de tantas pessoas que não têm onde morar e ocupam calçadas, improvisando, com tecidos, barracas ou um simples papelão, algum microespaço para chamar de abrigo.

Em São Paulo, logo cedo, os espaços para passar a noite formam filas já nas primeiras horas da manhã. É preciso garantir algum lugar para dormir e, literalmente, não morrer nos dias mais frios. Mas esses espaços não atendem de forma plena essa população. Faltam vagas, faltam bons modelos.

Não importa o que as instituições digam, não importa o que nossa família e conhecidos digam, não importa o que os vizinhos ou as autoridades digam. O constrangimento que sentimos é algo que vem do fundo do coração. A alma do cristão pede: “olhe, veja, sinta”. O que podemos fazer para evitar que nossa sociedade deixe tantos irmãos pelo caminho? O que eu posso fazer para que todos tenham uma chance de viver com mais dignidade?

Os motivos para estarem ali são os mais variados: maus-tratos familiares, envolvimento com drogas, depressão, pobreza extrema etc. Mas, independentemente desses motivos, cabe a todos nós “manter uma porta aberta”. Ninguém deveria enxergar como única alternativa lançar-se à insegurança e ao frio das ruas. Logo mais, o inverno vai chegar, e não podemos naturalizar as pessoas em situação de rua como parte da “paisagem” deprimente de uma grande cidade. Estamos diante de um problema gigantesco, e de muitas camadas.

Será que aquela criancinha que hoje é explorada no farol terá um teto para morar amanhã? Será que aquela família em situação de vulnerabilidade conseguirá pagar um aluguel de mais de mil reais na cidade? Será que aquele idoso que perdeu todos os entes da família em uma tragédia encontrará forças para sair da depressão? Será que uma pessoa que passou pelo sistema carcerário encontrará meios para se reintegrar à sociedade? Será que aquela mulher com grave enfermidade mental encontrará alguma saída que não seja a rua? Será que o dependente de entorpecentes conseguirá se livrar do vício sem ajuda, até mesmo para buscar ajuda? São muitos “serás”… e o problema segue crescendo. Há projetos, há tentativas, mas diante dos números, têm se mostrado ineficientes.

Ao final de 2025, o Brasil registrou 365.822 pessoas em situação de rua, um aumento em relação às 327.925 contabilizadas em dezembro de 2024. A maioria dessa população (61%, ou mais de 222 mil pessoas) encontra-se na Região Sudeste. O estado de São Paulo lidera, com mais de 150 mil pessoas nessa condição, seguido pelo Rio de Janeiro e por Minas Gerais.

Além disso, é preciso lembrar que uma grande parcela da população não possui renda suficiente para acessar o mercado imobiliário privado e obter financiamentos, dependendo exclusivamente de políticas públicas que hoje são consideradas insuficientes. Estima-se que faltem cerca de 6 milhões de moradias no país. Além da falta absoluta de casas, existe um problema gigantesco de inadequação: cerca de 26 milhões de residências são consideradas inapropriadas, apresentando problemas como falta de saneamento básico, superlotação ou estruturas precárias.

Promover o direito à moradia digna, não como privilégio ou mérito, mas como um direito fundamental garantido a toda a população, em unidade com outros bens e serviços essenciais, é mais do que necessário nos dias atuais. A falta de habitação afeta a dignidade das pessoas e o desenvolvimento das famílias.

Certa vez, li um livro que propunha o seguinte exercício: imagine um casal debatendo uma questão séria da família em um apartamento de alto padrão. Agora imagine o mesmo casal debatendo a mesma questão em um barraco de madeira, onde foi colocado um madeirite por cima de um córrego de esgoto. Qualquer discussão se agrava em condições assim. Quando as necessidades humanas básicas não são atendidas, a cólera ganha mais combustível para entrar em cena.

A Campanha da Fraternidade de 2026 (CF 2026), promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), nos convida a olhar para a questão da habitação sob a perspectiva cristã e social. O tema da campanha é “Fraternidade e Moradia”, e o lema bíblico é “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). A campanha recorda que Jesus assumiu a realidade humana e também necessitou de um lar, destacando a importância da moradia para o crescimento humano e para as relações familiares.

Ela reflete sobre o mistério da encarnação de Deus, que “armou sua tenda” entre a humanidade. A iluminação bíblica convida os cristãos a reconhecerem a dignidade humana e a verem na falta de moradia uma violação do plano de Deus.

Como ação concreta, precisamos nos empenhar em promover e defender políticas públicas eficazes e a aprovação de leis que garantam moradia popular. Também é necessário que nosso trabalho pastoral tenha em mente essas necessidades humanas. Além disso, o tema precisa servir de critério para o discernimento do voto em anos eleitorais. Qual a opinião do meu candidato sobre o tema?

O cartaz da campanha apresenta a escultura “Cristo sem-teto”, do artista Timothy Schmalz, que retrata uma figura envolta em um cobertor, deitada em um banco de praça, identificada como Jesus apenas pelas chagas nos pés.

Na verdade, sabemos por que ficamos tão constrangidos ao ver pessoas nessas situações de calçada: é porque sabemos que ali está Jesus disfarçado.

⁴⁴ Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?

⁴⁵ Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim.

Mateus 25,35-45

Thais Veiga

Jornalista

Saiba mais: https://campanhas.cnbb.org.br/campanha/campanha-da-fraternidade-2026/

Uma nova maternidade

A atitude de escuta de Maria e a sua vida de oração fazem com que o Espírito possa agir nela e torná-la mãe. A maternidade é para Maria tanto a vocação específica que Deus lhe concede, quanto o fruto da plenitude do Espírito dentro dela. Por isso, Santo Agostinho pode dizer que Maria concebeu o Filho antes na fé e depois em seu seio. Portanto, Maria é mãe mais porque acreditou do que porque gerou. É mãe porque respondeu “sim” ao Senhor.

Isso me faz compreender que a verdadeira maternidade, no Reino dos Céus, é a maternidade nos valores do espírito, expressa na caminhada da fé. O “sejam fecundos e multipliquem-se, encham a terra” (Gn 1,28) não é somente um mandamento-biolóligo, mas indica o crescimento de uma filiação através da maternidade espiritual que deriva do nosso amor, da nossa fé, da nossa alma.

Se ficarmos na escuta, se dissermos “sim” à vontade de Deus a nosso respeito, também nós nos tornaremos “mãe” como Maria, como a Igreja. Não ficaremos fechados em nosso pequeno “ovo”, entre quatro paredes, com um filho ou dois, ou na nossa comunidade, mas o nosso coração será “mãe dos viventes” e abraçará a todos, dando a vida também para aqueles que provavelmente nunca conheceremos. Um dia, porém, os conheceremos, quando, tendo, ficado na escuta, em oração e tendo respondido com o nosso “sim”, obteremos a vida eterna e, tendo chegado lá, ouviremos alguém nos cumprimentar: “Eu fui salvo porque você ocupou o seu lugar na história da salvação e foi mãe para mim…”.

Maria expressa essa realidade materna através também de uma atitude de oferta. Quando apresentou Jesus no templo, ofereceu a si mesma juntamente com o Filho, e Simeão lhe disse: “Uma espada há de atravessar-lhe a alma” (Lc 2,35). O que tudo isso nos diz?

Cada um de nós tem a sua própria história. E basta se aproximar de alguém para perceber todo o seu mundo de sofrimento e de dor. Quantas vezes somos tentados a nos perguntar: mas por quê? Isso nos perguntamos diante do mal, diante das dores morais e das humilhações, diante dos sofrimentos físicos, das tentações, das trevas do espírito, do “distanciamento” de Deus.

A nossa inteligência não é capaz de fornecer respostas. Não podemos resolver o problema da dor com raciocínios, com a lógica humana. Devemos perguntar isso a Deus, refugiando-nos em sua vontade. E a resposta não tardará a chegar. Ele se fez “obediente até a morte e morte de cruz” (Fl 2,8), a fim de que pudéssemos ter a vida e a tivéssemos com abundância (cf. Jo 10,10).

Contudo, se abrirmos o Evangelho, veremos também uma mulher, livre para fazer ou não fazer a vontade de Deus, livre para aceitar ou não aceitar. Veremos essa mulher abraçar a dor e, então, também nós acharemos a resposta.

Maria, ao apresentar Jesus no Templo (cf. Lc 2,22-35), ouve Simeão lhe dizer aquelas palavras. Palavras misteriosas, inspiradas. Maria não se revolta. Medita em seu coração. Há nela a oferta do Filho que não se limita a um gesto ritual, mas é um verdadeiro gesto de oblação, através do qual oferece a si mesma juntamente com o Filho ao Pai eterno, em prol da salvação do mundo. Pois havia compreendido que para salvar o mundo era necessário sofrer, era necessário derramar o sangue, e o sangue do seu Filho era o único capaz de unir o homem a Deus.

Maria oferece o Filho

Depois vemos Maria fugindo para o Egito (cf. Mt 2,13-15). Ela também deve ter se perguntado o “porquê”, mas guardava tudo no seu coração. Vamos vê-la procurando o Filho que havia perdido, numa aparente distração que a torna mais próxima da nossa caminhada (cf. Lc 2,41-50). “Por que você fez isso conosco?”.  O que me agrada em Maria é essa ausência de inúteis conversas, de inúteis queixas.

E me agrada ver Maria que acompanha o Filho que fala às multidões e não pára nem mesmo para receber a sua mãe (cf. Mc. 3,31-35). E Ela não se espanta, não pretende nada, faz a vontade de Deus e ouve aquelas palavras do Filho que convida a olhar para a perfeição do Pai.

Agrada-me ver Maria que não fica se lamentando ao seguir o Filho na paixão, mas está aí, aos pés da cruz (cf. Jo 19,25), onde parece estar dizendo: “Completa a tua obra. Estou junto de ti, do mesmo modo como eu estive sempre contigo”. Maria sempre esteve com Jesus não tanto porque lhe deu a vida (não é difícil ser mãe de sangue), quanto porque cooperou com Ele, sofreu com Ele e caminhou dia após dia a fim de crescer na virtude: Depois pega o seu corpo e o deposita no sepulcro, porque sabe que somente através da morte Ele poderá sair vitorioso e triunfante, refazendo o fio do amor quebrado.

E Ela, após essa morte, saberá se tornar a mãe dos viventes, mãe da Igreja, porque compreendeu que toda maternidade é um ato de redenção e toda redenção se dá através do derramamento de sangue.

Então, entendemos bem por que Maria, ao querer nos tornar apóstolos, nos convida ao sacrifício, à penitência (pensemos em Lourdes, Fátima, no Padre Kolbe). Por isso, não nos resta outra coisa senão pedir a Maria que nos obtenha  a força para realizar a vontade de Deus, custe o que custar; a força para dizer: “Se é possível, afaste de mim este cálice. Contudo, não seja feito como eu quero, e sim como tu queres” (Mt 26,39). Assim, cada um de nós, completará em si aquilo que falta aos sofrimentos de Cristo, como afirma São Paulo (cf. Cl 1,24).

Frei Luigi Faccenda

Santo Natal 2025

Deus tece sua carne no ventre de sua criatura, Maria.
Humildade e grandeza de um amor para nós incompreensível, de um mistério que nos ultrapassa, deixando-nos em um silêncio impregnado de admiração…

Desejos sinceros de Feliz Natal!

Elisabetta Corradini
(Diretora geral)
com as Missionárias e os Voluntários da Imaculada Padre Kolbe

Natal: meu caminho à procura do silêncio

Quando eu era criança, os feriados religiosos tinham aquele silêncio misterioso. Em minha inocência, eu acreditava que todas as pessoas tinham ficado em casa para refletir sobre a data em questão. Na Sexta-Feira Santa, quase não se via nenhum comércio aberto. Em casa, a regra era clara: falar mais baixo, não comer carne, não ostentar nas vestimentas — ainda que algumas coisas fugissem à regra. A bacalhoada, por exemplo, era uma tradição em minha família e fazia parte daquele dia de refletir e pensar “em tudo que Jesus havia feito por nós”.

Quando criança, meu Advento era vivido a partir do início das férias. A preocupação com as notas diminuía e agora eu tinha um mês inteirinho para encontrar amigos, brincar do que quisesse, ler os livros que me dessem na telha e, melhor ainda, esperar pelo Natal, com suas músicas, cores, luzes e, claro, muitas visitas de familiares, que me traziam presentes ou dinheiro. Na época, os dez reais recebidos discretamente pelas mãos de minha avó eram verdadeiras fortunas. Mas o que mais me lembro era daquele silêncio, daquela pausa que todo mundo se dava ao direito. Quase todo mundo se permitia parar, silenciar o coração, respirar mais aliviado, já pensando em descansar para o próximo ano.

Durante o mês, apesar das correrias para compra de presentes, visitas e confraternizações, parecia que a mente ia descansando das obrigações de trabalho e estudo. Era uma correria gostosa, talvez um pouco consumista, mas sem tanta pressão — ao menos na minha cabeça de criança.

Hoje, já como adulta, ando à procura de silêncio. Não apenas o silêncio de desligar televisões, celulares, poluição sonora, mas aquele silêncio interior, aquela postura de quem só contempla a vida. Parece tão simples admirar o céu, o brilho dos olhos das pessoas que amamos, a natureza, olhar o que realmente importa, mas são raros os dias em que nos permitimos simplesmente apreciar a lua e as estrelas ou sentir o sol aquecer nossa pele.

Algo tem me ajudado muito: contemplar o presépio. Aquele silêncio profundo e contemplativo representado no estábulo em Belém é muito difícil de ignorar e, pouco a pouco, vai mudando algo dentro da gente.

A oração também. Em um mundo com tantas vozes, quando paro para ouvir a Deus, as “vozes da minha cabeça” vão ficando cada vez mais baixinhas, e esse bendito silêncio aos poucos vem se aproximando.

Um dia desses, esqueci o celular em casa. Depois de 20 minutos de pânico achando que o havia perdido no metrô, percebi que foi uma das melhores coisas da minha semana. Contemplei um jardim, ouvi atentamente um pianista que estava tocando no centro cultural onde almoço, observei atentamente a chuva caindo e fiz a minha refeição prestando total atenção na comida. No fim do dia, me senti bem mais livre. Quem convive com um bebê recém-nascido sabe bem o quanto o silêncio é importante para ele. Faz parte da sua rotina entre as mamadas e trocas de fraldas: aquele soninho restaurador, cercado de silêncio. Neste Advento, quero deixar que esse silêncio também faça parte da minha rotina. Assim, no Natal, quero estar mais preparada para  contemplar Jesus recém-nascido e vivenciar essa notícia tão maravilhosa, tão profunda e tão restauradora. Nasceu o Menino Deus!

Thais Veiga

Jornalista

Preparar-se para a Festa!

Os meios mais importantes para viver a novena em preparação à festa da Imaculada são: a oração, o trabalho e o sacrifício.

A oração, para que a Imaculada se torne, o mais rápido possível, a Rainha de todos os corações; a fim de que outros a amem como nós a amamos, ou mais ainda, através dela cheguem a conhecer e a amar Jesus de modo mais perfeito, Ele que, pelo amor que nutre para conosco, morreu na cruz.

O trabalho, buscando um número cada vez maior de novos membros para a M.I., pois ainda são muitos aqueles que não fazem parte dela. Empenhemo-nos igualmente em difundir ainda mais o RycerzNiepokalanej(a revista que Padre Kolbe editava em sua época, como “O Mílite” de hoje), que aprofunda o espírito da M.I. e mostra como se pode agir no momento atual em conformidade com esse espírito.

E o sacrifício, façamos o sacrifício de nós mesmos, oferecendo à Imaculada as nossas humilhações, os sofrimentos, os fracassos. Façamos o sacrifício daquilo que nos pertence, colocando à disposição um pouco dos nossos bens.

Todos nós que vivemos em Niepokalanów, colocamos nas mãos da Imaculada a completa oferta de tudo aquilo que possuímos, ou melhor, até mesmo a oferta da nossa própria pessoa, consagrando-nos totalmente à sua causa.

Qualquer meio, qualquer última invenção no campo das máquinas ou dos sistemas de trabalho sejam antes de tudo colocados a serviço da obra de santificação das almas através da Imaculada. Com efeito, limitando ao máximo as necessidades pessoais, levando uma vida na mais extrema pobreza, utilizaremos meios moderníssimos. Vestidos com roupas remendadas, com sapatos concertados nos pés, a bordo de um avião de último tipo, se isso for necessário para salvar e santificar o maior número de almas: esse continua sendo o nosso ideal.

Assim, portanto, com a ajuda da Imaculada, nós todos, seus milites, renovaremos a nossa total doação a Ela e nos empenharemos com verdadeira solicitude, durante a nova em preparação à sua festa, para dar a máxima contribuição possível na conquista do mundo inteiro para Ela.

Pediremos frequentemente a Ela para que nos ilumine a respeito daquilo que devemos realizar e como devemos fazer; além disso, nos dirigiremos a Ela para implorar a energia necessária a fim de realizar, para Ela, inclusive as ações mais difíceis e heroicas.

Vamos despertar em nós, todos, sem exceção, uma sábia solicitude para a salvação e a santificação do nosso próximo, próximo ou distante, até mesmo aquele que é inteiramente estranho à nossa nacionalidade e raça, e façamos tudo isso através da Imaculada. De fato, todos nós somos irmãos e irmãs, pois temos uma Mãe celeste comum, a Imaculada, um Pai comum que está no céu e um Irmão maior comum, Jesus, Homem-Deus.

São Maximiliano Kolbe

(Revista “RycerzNiepokalanej” Dezembro de 1937)

A Virgem do Globo

Sempre acreditei na medalha milagrosa com toda a força da minha fé. A sua mensagem, uma das maiores e mais extraordinárias destes últimos séculos, confirmou que esta é a hora de Maria, a qual preanuncia os tempos nos quais, segundo uma expressão cara a Catarina Labouré, “as almas respirarão Maria como os corpos respiram o ar” (São Luis M. Grignion de Montfort,

Tratado da verdadeira devoção a Maria, n. 217). Eis porque me detenho com ardor na segunda aparição, a mais densa em significado, na qual a Virgem revela a missão que confia a Catarina.

“No dia 27 de novembro de 1830, que era sábado anterior ao primeiro domingo do Advento, às cinco e meia da tarde, estava eu fazendo a meditação em profundo silêncio quando me pareceu ouvir do lado direito da capela um rumor, como o roçar de uma roupa de seda. Ao dirigir o olhar para aquele lado, vi a Santíssima Virgem na altura do quadro de São José.

A sua estatura era mediana, e tal era a sua beleza que me é impossível descrevê-la. Estava em pé, a sua roupa era de seda e de cor branca-aurora, feita, como se diz, ‘à lavierge’, isto é, bem fechada e com as mangas simples. Da cabeça descia um véu branco até os pés. O rosto estava suficientemente descoberto, os pés se apoiavam sobre um globo, ou pelo menos eu vi somente a metade. Suas mãos, erguida à altura da cintura, seguravam de modo natural um outro globo menor, que representava o universo. Ela tinha os olhos voltados para o céu, e o seu rosto se tornou resplandecente enquanto apresentava o globo a Nosso Senhor. De repente, seus dedos se cobriram de anéis, ornados de pedras preciosas, um mais bela do que a outra, algumas maiores, outras menores, e que emitiam raios luminosos.

Enquanto eu estava contemplando-a, a Santíssima Virgem abaixou os olhos na minha direção, e uma voz me disse: ‘Este globo representa o mundo inteiro, especialmente a França e cada uma das pessoas…’. Não sei aqui repetir aquilo que ouvi e que vi, a beleza e o esplendor dos raios tão fulgurantes!… e a Virgem acrescentou: ‘São os símbolos das graças que eu espalho sobre as pessoas que as pedem’, fazendo-me compreender o quanto é doce invocar a Santíssima Virgem e o quanto Ela é generosa com as pessoas que a invocam; e quantas graças Ela concede às pessoas que a procuram e que alegria Ela sentem concedê-las.

Naquele momento eu era e não era… Estava exultante. E então começou a se formarão redor da Santíssima Virgem um quadro um tanto oval, sobre o qual, no alto, numa espécie de semicírculo, da mão direita para a esquerda de Maria se liam estas palavras, escritas com letras de ouro: ‘Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós’. Então ouvi uma voz que me disse: ‘Mande cunhar uma medalha conforme este modelo; todas as pessoas que a carregarem, receberão grandes graças; leve-a principalmente no pescoço. As graças serão abundantes para as pessoas que a carregarem com confiança’.

No mesmo instante pareceu-me que o quadro virou e eu vi o reverso da medalha. Havia o monograma de Maria, isto é, a letra ‘M’ com uma cruz em cima e, como base dessa cruz, uma linha grossa, ou seja, a letra ‘I’, monograma de Jesus. Sob os dois monogramas havia os Sagrados corações de Jesus e de Maria, o primeiro rodeado por uma coroa de espinhos e o segundo traspassado por uma espada.”

Interrogada mais tarde se além do globo, ou melhor, além de metade do globo, ela tinha visto outra coisa sob os pés da Virgem. Catarina Labouré respondeu que havia visto uma serpente de cor esverdeada com manchas amarelas quando às doze estrelas que circundam o reverso da medalha, “é moralmente certo que essa particularidade foi indicada à viva voz pela Santa, desde a época da aparição”.

Nos manuscritos da vidente encontra-se também esta particularidade, que é muito importante. Entre as pedras preciosas havia algumas que não emitiam raios. Enquanto se espantava, ouviu a voz de Maria que dizia: “As pedras preciosas das quais não saem raios são símbolo das graças que não me foram pedidas por esquecimento”.

Em 1832, dois anos após as aparições, o pedido de Maria foi atendido e a Medalha foi cunhada. Uma das primeiras pessoas, a recebê-la foi a Irmã Catarina, a qual, logo que a teve entre as mãos, a beijou várias vezes com afeto e disse: “Agora é preciso difundi-la”.

A Medalha, num certo sentido, se propagou por si. As graças e os milagres, obtidos seja em benefício das almas, seja em benefício dos corpos, foram tantos e tão evidentes que, em pouco tempo, a Medalha foi chamada de “milagrosa”.

O PRIMEIRO QUADRO

A medalha Milagrosa, além de um pequeno livro de fé, pode ser definida como um pequeno tratado de mariologia. O primeiro quadro que se apresenta na medalha é a visão maravilhosa, sobre um globo e com o pé imaculado, esmaga uma serpente. O seu rosto maternalmente sorridente fala de todo o seu amor pelos homens sobre o qual ela faz descer de suas mãos os raios luminosos, símbolo das suas graças. Fecha o quadro a sublime invocação: “Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”.

Podemos dizer que, exatamente por causa dessa visão, a medalha contribuiu notavelmente a fim de preparar os ânimos para a definição do dogma da Imaculada Conceição, vinte e quatro anos mais tarde. De fato, no dia 8 de dezembro de 1854, através da Carta apostólica Innefabilis Deus, o Papa Pio IX proclamou o dogma da Imaculada Conceição.

Contudo, além dessa finalidade imediata, que já se realizou, quantas coisas ainda diz a esplêndida visão da Imaculada para o olhar atento do cristão que a contempla! A visão da “toda pura”, que esmaga a cabeça da serpente infernal, recorda ao homem a triste história da humanidade pecadora.

Todos os homens passam da tenaz do pecado original, da qual são libertados somente pela graça do batismo. Somente Maria foi isenta dela. E esse singular privilégio, mais do que ofender a universalidade da Redenção humana, realizada por Cristo, exalta o poder do divino Redentor, que com seus méritos preservou Maria, sua mãe, de incorrer na herança comum: Maria foi redimida com uma redenção preventiva, que a tornou imune de contrair o pecado original desde o primeiro momento da sua concepção.

Que alegria para a humanidade essa vitória de Maria, que marca a primeira de todas as vitórias por Ela ganha contra o inferno e contra suas insídias! A Igreja canta: “Gaude Maria Virgo; cunctashaereses sola interemisti in universo mundo”; “Alegrai-vos, ó Virgem Maria! Por ti foram vencidas todas as heresias do mundo”.

A vitória será infalível para quem mergulhar com confiança na luz das suas graças.

O SEGUNDO QUADRO

Vamos virar a Medalha e ler o seu reverso. Tudo retorna, mas numa luz mais panorâmica e mais ampla: um “M” com uma cruz em cima representa Maria com Cristo crucificado em relação à nossa Redenção. Esse mistério nos leva necessariamente ao mistério da Encarnação do Verbo e também ao próprio mistério de Deus Uno e Trino, fonte de todo ser e de toda vida.

O primeiro homem, criado inocente por Deus, prevaricou comendo o fruto proibido. O seu pecado repercutiu negativamente em toda a sua descendência, que desde o momento de sua concepção está sujeita à mancha original. Deus misericordioso, porém, não deixou o homem na infelicidade de sua própria sorte. Deu-lhe uma tábua de salvação: prometeu-lhe um Salvador, no qual encontraria reconciliação e vida.

Na plenitude dos tempos, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Verbo de Deus, toma carne humana no seio de Maria e, após uma vida terrena de trinta e três anos, vividos em meio aos homens, sobe o Calvário para ser imolado ao Pai pela Redenção do mundo.

Na cruz se realiza a obra da nossa salvação e a nossa pacificação com Deu: “Pois nele aprouve a Deus fazer habitar toda a plenitude e reconciliar por ele e para ele todos os seres, os da terra e os dos céus, realizando a paz pelo seu sangue da sua cruz” (Cl 1,19-20).

O lugar da Virgem nesse plano divino de restauração do mundo é capital importância. Ela está ao lado do Cristo Redentor, e não podemos concebê-la senão ao lado dele, porque a sua parte na nossa salvação vem imediatamente após a de Jesus. Através dela, de fato, Jesus é oferecido ao mundo e, através dela, o mundo retornará a Jesus: eis a missão de Maria nos projetos de Deus, que quis associá-la a toda a obra do divino Redentor.

Frei Luigi Faccenda